SIMULAÇÃO: DEFINIÇÃO SIMULATION: DEFINITION Antonio Pazin Filho 1 , Sandro Scarpelini 2 1 Docente. Departamento de Clínica Médica. 2 Docente. Departamento de Cirurgia e Anatomia. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP CORRESPONDÊNCIA: Antonio Pazin Filho. Centro de Estudos de Emergências em Saúde - CEES. Rua Bernardino de Campos, 1000 CEP 14015-030 Ribeirão Preto – SP. apazin@fmrp.usp.br Pazin Filho A, Scarpelini S. Simulação: definição. Medicina (Ribeirão Preto) 2007; 40 (2) : 162-6. Resumo: A simulação é uma técnica de ensino que se fundamenta em princípios do ensino baseado em tarefas e se utiliza da reprodução parcial ou total destas tarefas em um modelo artificial, conceituado como simulador. Sua aplicação é relacionada, em geral, à atividades prá- ticas, que envolvam habilidades manuais ou decisões. Historicamente se desenvolveu isolada- mente em diversas áreas do conhecimento humano e apenas recentemente começa a ser sistematizada. Diversos estímulos, incluindo aspectos éticos e incentivo para formas mais ela- boradas de avaliação, têm fomentado o desenvolvimento da simulação na área médica. Descritores: Simulação. Educação Médica. Aprendizagem Baseada em Problemas. 162 Medicina, Ribeirão Preto, Simpósio: DIDÁTICA II - SIMULAÇÃO 40 (2): 162-6, abr./jun. 2007 Capítulo II 1- INTRODUÇÃO Para a compreensão da simulação como técni- ca de ensino é necessária a sua caracterização e indi- vidualização. Inicialmente iremos caracterizar neste artigo a definição mais abrangente de simulação e pro- curar distinguí-la de outras técnicas de ensino. No in- tuito de reforçar estes conceitos e delinear sua acei- tação e real valor, será realizada posteriormente uma contextualização histórica. 2- DEFINIÇÃO E CARACTERIZAÇÃO A simulação pode ser definida como: “técnica em que se utiliza um simulador, considerando-se simu- lador como um objeto ou representação parcial ou to- tal de uma tarefa a ser replicada” 1 . Esta definição traz dois importantes aspectos, necessários à simulação: o primeiro diz respeito ao ensino baseado em tarefas, no qual se enfatiza o que deve e como deve ser feito para que se atinja o objetivo proposto, enquanto o segundo é a relação com o simulador, propriamente dito. O ensino baseado em tarefas (EBT) é um mé- todo 2 no qual o aluno é primeiramente confrontado com um problema e seqüencialmente submetido a um processo de busca de subsídios para sua resolução. A técnica procura respeitar as características de apren- dizado do adulto, contextualizando o problema e res- gatando o conhecimento prévio do aluno 3 . Ao contrá- rio do ensino “tradicional”, no qual o aluno recebe bases teóricas e uma visão geral do processo nosoló- gico de modo passivo, no EBT o aluno inicialmente é exposto a uma situação prática onde exercerá papel ativo na aquisição dos conceitos necessários para a compreensão e resolução do problema. Nesta meto- dologia, o professor assume uma postura de condutor e não a de fornecedor ativo de toda a informação. Para o professor habituado ao modelo tradicional esta mudança pode significar umgrande desafio de adap- tação 4 . O EBT não é restrito, obrigatoriamente, ao uso do simulador, mas a técnica exige pequenos gru- pos de alunos para que a discussão seja efetiva 5 . Na maior parte do desenvolvimento e aquisição de con- ceitos cognitivos, o EBT está sujeito aos mesmos re-