Crislaine Maria Carvalho da CRUZ 1,3 ; Fernanda Rabaioli da SILVA 6 ; Natália DECKER 2 ; Alexandre FERRAZ 5 ; Ana Paula Simões MENEZES 2 ; Juliana da SILVA 4,7 1 Curso de Biologia ULBRA; 2 Curso de Pós Graduação ULBRA; 3 cris289cruz@hotmail.com; 4 julianadasilva@ulbra.br; 5 Docente; 6 Co- orientador; 7 Orientador. Introdução A mineração de carvão é uma atividade de grande importância para a economia do Brasil. Em Candiota (Figura 1), no estado do Rio Grande do Sul, localiza-se a maior reserva de carvão do país, sendo sua exploração realizada a céu aberto. O carvão é o combustível que mais polui, e a sua queima libera ao ambiente compostos orgânicos e inorgânicos que depositam-se nas superfícies vegetais e no solo alterando o ecossistema. Nas regiões degradadas pela mineração, a espécie Baccharis trimera (Figura 2) desenvolve-se amplamente e é muito utilizada na medicina popular. Além disso, espécies vegetais são rotas de entrada de metais e poluentes industriais tornando-se bioindicadores potenciais na avaliação do impacto ambiental. Objetivo O objetivo deste trabalho foi verificar a genotoxicidade de extratos aquosos de B. trimera (EA-Bt) proveniente de região impactada e não impactada pela queima do carvão através do Ensaio Cometa em cultura de células de mamíferos (linhagem V79). Metodologia Resultados Conclusão De acordo com os resultados podemos observar que a espécie de B. trimera é sensível ao impacto causado pela queima do carvão na região de estudo. Cabe salientar que o consumo dessa planta, através da medicina popular, deve ser utilizado com cuidado. Figura 4: Diferentes doses do extrato de Baccharis trimera exposta ao carvão (Candiota). Figura 3: Diferentes doses do extrato de Baccharis trimera sem exposição ao carvão (Bagé). Referências Bibliográficas DA SILVA, J.; HEUSER, V.; ANDRADE, V. Biomonitoramento Ambiental. In: DA SILVA, J.; ERDTMANN, B.; HENRIQUES, J. A. P. Genética Toxicológica. Porto Alegre: Alcance, 2003. v 1, cap. 8, p. 167-174. ERDTMANN, B. A Genotoxicidade Nossa de Todos os Dias. In: DA SILVA, J.; ERDTMANN, B.; HENRIQUES, J. A. P. Genética Toxicológica. Porto Alegre: Alcance, 2003. v 1, cap. 1, p. 26-27. FENECH, M. The in vitro micronucleus technique. Mutation Resesrch, n. 455. p. 81- 95, 2000. GRANCE S.R.M.; TEXEIRA M.A.; LEITE R.S.; GUIMARÃES E.B.; SIQUEIRA J.M.; FILIU W.F.O.; VASCONCELOS S.B.S.; VIEIRA M.C. Baccharis trimera: Effect on hematological and biochemical parameters and hepatorenal evaluation in pregnant rats. Journal of Ethnopharmacology, n. 117, p. 28-33. 2008. KOPEZINSKI, I. Mineração x meio ambiente: considerações legais, principais impactos ambientais e seus processos modificadores. UFRGS. Porto Alegre. p. 95- 103. 2000. MENEZES, A.P.S.; DA SILVA, J.; ROLOFF, J.; REYES, J.; JOHNY, F.D.; SANTOS, C.E.; FERRAZ, A.B.F.F. Avaliação da atividade genotóxica de Baccharis trimera (Less) DC (asteraceae) proveniente de região carbonífera. Figura 1: Localização do município de Candiota (RS). Figura 2: Baccharis trimera. Foto: Rosângela G. Rolim (2010). Para a realização do experimento partes aéreas de B. trimera foram coletadas no verão em Candiota - nas proximidades da Usina Termoelétrica Presidente Médice – e; no município vizinho de Bagé, região correspondente a um ponto sem exposição ao carvão. Extratos aquosos das plantas foram obtidos e liofilizados. Células de pulmão de hamster chinês (V79) foram expostas durante 3 horas às diferentes concentrações dos extratos. Para determinação das concentrações dos extratos para as culturas foi feito teste de viabilidade celular com tripan blue. Cinco concentrações foram determinadas: (D1) 0,1 mg/mL; (D2) 0,2 mg/mL; (D3) 0,4 mg/mL; (D4) 0, 8 mg/mL; e (D5) 1,6 mg/mL. O potencial genotóxico foi avaliado através do Ensaio Cometa, sendo 100 células avaliadas por tratamento, pelo parâmetro tail moment (comprimento da cauda x intensidade da fluorescência da cauda), utilizando o programa Comet Assay IV. Procedeu-se a estatística através da análise de variância (ANOVA) com o auxílio do programa GraphPad Prism 5.0. Apoio: CNPq, FAPERGS, ULBRA As concentrações de EA-Bt sem exposição ao carvão não demonstraram capacidade de induzir aumentos de danos ao DNA de forma significativa em relação ao controle. Entretanto células expostas ao EA-Bt oriundo de Candiota levaram a danos nas maiores doses (D4 e D5 - P<0,01) em relação ao controle e em comparação as menores doses (D1 – P<0,05 e D2 - P<0,01). (Figura 4).