187 EVOLUÇÃO CLÍNICA E TRATAMENTO DA ESOFAGITE DE REFLUXO CRÔNICA EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES CLINICAL EVOLUTION AND TREATMENT OF CHRONIC REFLUX ESOPHAGITIS IN CHILDREN AND ADOLESCENTS SIMONE DINIZ CARVALHO*, ROCKSANE DE CARVALHO NORTON**, FRANCISCO JOSÉ PENNA*** *Mestre e Doutoranda em Pediatria pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Serviço de Gastroenterologia Pediátrica do Hospital das Clínicas da UFMG **Doutora em Gastroenterologia, Professora Adjunto do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG. Serviço de Gastroenterologia Pediátrica do Hospital das Clínicas da UFMG ***Doutor em Gastroenterologia, Professor Titular do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG, Coordenador do Serviço de Gastroenterologia Pediátrica do Hospital das Clínicas da UFMG Endereço para coorrespondência Simone Diniz Carvalho Rua Campos Elíseos, 450/ apto. 32 Bairro Alto Barroca Belo Horizonte-MG CEP: 30.430-510 e-mail: sdcarvalho@terra.com.br RESUMO: Objetivos: Determinar a efcácia do omeprazol na cicatrização das lesões esofágicas e o valor da monitoração do pH esofágico no acompanhamento terapêutico da esofagite de refuxo crônica em crianças e adolescentes. Pacientes e Métodos: Foram estu- dados 14 pacientes com esofagite de refuxo erosiva e/ou ulcerada entre um e 14 anos, que receberam omeprazol em dose inicial de 0,7mg/Kg/dia até o máximo de 3,7mg/Kg/dia. A dose de cicatriza- ção correspondia à dose obtida com a normalização do pH esofá- gico. Endoscopia de controle foi realizada ao fnal do tratamento. Resultados: A dose de omeprazol variou de 0,7 a 3,7mg/Kg/dia. Dez pacientes apresentaram cicatrização das lesões esofágicas e melhora sintomática ao fnal do estudo. Os parâmetros da pHme- tria esofágica que melhor traduziram a resolução da esofagite fo- ram o número de episódios de refuxo com duração acima de cinco minutos, o escore de DeMeester, o índice de refuxo e o número total de episódios de refuxo. Conclusões: O omeprazol foi efcaz na remissão sintomática e na cicatrização das lesões da esofagite de refuxo crônica em crianças e adolescentes. As doses apresen- taram ampla variação e foram proporcionalmente mais altas que as empregadas em adultos. A monitoração clínica do tratamento através da pHmetria esofágica é recomendada. Palavras-chave: Refuxo Gastroesofágico; Omeprazol; Moni- toramento do pH Esofágico; Criança; Adolescente; Esofagite Péptica. INTRODUÇÃO A esofagite é uma das principais complicações da do- ença do refluxo gastroesofágico (DRGE) em crianças e adolescentes, contribuindo para o aumento da morbidade dessa entidade na infância. Quanto maior sua gravidade, mais difícil é o tratamento. 1-3 O surgimento dos inibidores de bomba de prótons (IBP) revolucionou o tratamento das doenças cloridopép- ticas e a supressão farmacológica da secreção ácida gástri- ca com essas drogas passou a ser a terapêutica de escolha para a esofagite de refluxo. 1-4 A presença de erosões e/ou ulcerações na mucosa eso- fágica caracteriza esofagite de refluxo complicada, cujo tratamento torna-se mais complexo em virtude da difi- culdade de cicatrização das lesões, risco mais alto de com- plicações, pequena resposta ao uso dos antagonistas dos receptores H 2 da histamina e necessidade de manutenção em longo prazo para evitar recidiva da doença. 2, 5-7 . Apesar do uso de omeprazol há mais de 15 anos na po- pulação pediátrica, ainda há escassez de dados na literatura quanto ao manejo ideal da esofagite péptica crônica e quan- to à dose efetiva dessa droga para uso nesses pacientes. Es- tudos pediátricos, até o momento, mostram ampla variação da dose do omeprazol e sugerem monitoração mais precisa do tratamento clínico da esofagite de refluxo infantil, prin- cipalmente pela pHmetria esofágica de 24 horas. 2, 5, 6, 8, 9-12 Os objetivos deste estudo foram: avaliar a eficácia do tratamento clínico para a esofagite de refluxo erosiva; de- terminar a posologia mais adequada do omeprazol para o controle clínico da esofagite; determinar os parâmetros da pHmetria esofágica de 24 horas que melhor predizem a cicatrização das lesões esofágicas e o valor desse exame como método de acompanhamento terapêutico da esofa- gite de refluxo crônica na faixa etária pediátrica. PACIENTES E MÉTODOS Os pacientes incluídos neste estudo compreenderam crianças e adolescentes de um a 16 anos de idade, acom- panhadas entre janeiro de 2001 e janeiro de 2003, com esofagite de refluxo crônica (esofagite erosiva e/ou ulcera- da grau ≥ 2 de Savary-Miller) à endoscopia digestiva alta e refluxo gastroesofágico ácido patológico à pHmetria esofágica de 24 horas, sem tratamento anti-refluxo prévio ou sem resposta clínica ao uso de antiácidos, procinéti- cos, antagonistas dos receptores H2 da histamina e/ou fundoplicatura. Foram excluídos do estudo os pacientes tratados com IBP nos últimos seis meses, presença de esofagite péptica com estudo inicial do pH esofágico de 24 horas normal, dificuldades sociofamiliares que prejudicassem o estudo e recusa do paciente ou responsável à realização de pHme- trias seqüenciais e/ou ao uso do omeprazol. Plano de tratamento Uma vez evidenciados refluxo ácido patológico (índice de refluxo ≥ 4,2 %) e esofagite péptica erosiva ou ulcera- Rev Med Minas Gerais 2006; 16(4): 187-93