O ChatGPT é o produto mais alardeado da internet depois do lançamento comercial da WWW. Conquistou 100 milhões de usuários em dois meses e é um dos assuntos do momento. O ChatGPT popularizou o debate sobre a inteligência artifcial, evidenciando que as IAs são uma ameaça à criatividade e uma promessa de virada cultural sem precedentes. Resumidamente, é uma tecnologia desenvolvida com inteligência artifcial, pelo laboratório OpenAI, de São Francisco (EUA), que gera respostas em texto sobre os mais diversos assuntos. Suas características e funções estão contidas na enigmática sigla de seu nome: Generative Pretrained Transformer, que pode ser traduzido como “Transformador Generativo Pré-Treinado”. Se há algo que os cientistas da computação precisam aprender é dar nomes e títulos às coisas. Volto a esse assunto mais adiante, pois essa não é uma questão só de estilo. Ela remete a um espectro de questões ideológicas e políticas que dizem respeito à visão antropocêntrica que vem embarcada no conceito de “inteligência artifcial” e suas “fliais”: redes neurais, aprendizado de máquina, visão computacional, linguagem natural, autoatenção etc. Por ora, é importante entender o que signifca esse GPT para ter uma noção de sua complexidade. O termo “Generativo” refere-se à sua capacidade de gerar texto de forma autônoma, ou seja, sem a necessidade de entrada de um texto de origem para se basear. Você insere uma pergunta e o sistema redige uma resposta. Isso não é mágica, mas resultado de ter sido “Pré-treinado” com milhões de textos para aprender a recompor seus enunciados e palavras em tarefas específcas, como responder suas perguntas. A recombinação e contextualização dos dados é feita pelo “Transformador” (Transformer). Esse modelo de aprendizado maquínico identifca relações de dependência entre as palavras, permitindo que o ChatGPT, com base em 175 bilhões de parâmetros, fale sobre qualquer tema, articulando os dados em um texto coerente (mas não necessariamente correto). Máquinas companheiras. Ensaio Giselle Beiguelman