Anais do II Seminário Internacional História do Tempo Presente, 13 a 15 de outubro de 2014, Florianópolis, SC Programa de Pós-Graduação em História (PPGH), Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) Cultura caiçara e Políticas de Patrimônio: entre memória e esquecimento Alex Sandro Santos Fonseca 1 Resumo: O presente trabalho tem por objetivo analisar aspectos da relação entre os poderes públicos e as comunidades tradicionais, no que tange à elaboração de políticas de preservação do Patrimônio Cultural e da Memória local. Nesse sentido buscou-se observar alguns recortes referentes à comunidade caiçara de Camaroeiro em Caraguatatuba/SP e a atuação dessa comunidade frente ao processo de preservação e apagamento da memória, assim como a elaboração de processos de resistência e reafirmação da identidade. Historicamente a cultura caiçara foi elaborada, documentada e reconhecida como cultura rústica de modelo fechado e conservador, que constitui suas práticas a partir de diferentes formas de sociabilidade ligadas ao cotidiano do trabalho e do lazer nos litorais da região sudeste e parte da região sul do Brasil. Contudo, nota-se que os processos de preservação dessa cultura, entendida como patrimônio local, em alguns casos, são responsáveis também pela cristalização de algumas práticas no tempo. Caracterizando dessa forma as políticas de memória como políticas de esquecimento, uma vez que não reconhecem a mobilidade e maleabilidade inerentes à cultura caiçara. Finalmente, pretende-se apresentar elementos que compõem essa tensão entre os poderes públicos e as comunidades tradicionais na elaboração de políticas de preservação do patrimônio e sua recepção por parte da comunidade. Palavras-chave: Cultura Caiçara, Memória, Patrimônio Cultural. Introdução Comunidades caiçaras tradicionais são comumente estudadas por disciplinas da área das Ciências Sociais (DIEGUES, 2005 e 2004; MARCÍLIO, 1986) e do Folclore (LIMA, 1981), e documentadas em uma perspectiva do tempo mais longo, visando suas continuidades e permanências. A tendência é delimitar uma noção que se constrói através do contato com estas comunidades e da elaboração de modelos estruturados que aparentemente podem ser aplicados a quaisquer comunidades, desde que apresentem elementos que as aproximem destes modelos. Historicamente a cultura caiçara foi elaborada, documentada e reconhecida como cultura rústica de modelo fechado e conservador, que constitui suas práticas a partir de diferentes formas de sociabilidade ligadas ao cotidiano do trabalho e do lazer nos litorais da região sudeste e parte da região sul do Brasil. Segundo a geógrafa Maria Teresa Luchiari (1992 e 1999), as comunidades caiçaras do Litoral Norte de São Paulo estiveram diante de transformações que remontam o período colonial com uma primeira ocupação das terras brasileiras e posteriormente por se tratar de uma região propícia para o estabelecimento de portos para o escoamento das produções da colônia. Estes fatores corroboram segundo a geógrafa para que os ciclos econômicos que se 1 Mestrando em História pela Escola de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Paulo (EFLCH-Unifesp) e bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), e- mail: alex.ss.fonseca@gmail.com.