Acta Scientiarum, Maringá, 23(1):157-166, 2001. ISSN 1415-6814. A influência do positivismo e do historicismo na educaç ã o e no ensino de história Rosângela Célia Faustino* e João Luiz Gasparin Departamento de Teoria e Prática da Educação, Universidade Estadual de Maringá, Av. Colombo, 5790, 87020-900, Maringá, Paraná, Brasil. *Author for Correspondence. e-mail: rofaustino@onda.com.br RESUMO. O presente estudo objetiva mostrar a formação do pensamento positivista desenvolvido no século XIX por Augusto Comte, cujo objetivo era o de disseminar a necessidade da ordem para viabilizar o progresso, por Leopold von Ranke, que lutou pela neutralidade científica, mostrando a influência destas formulações teóricas na organização do sistema público de educação e no ensino de História. Palavras-chave: positivismo e educação, positivismo e ensino de História. ABSTRACT. The influence of positivism and historicism in education and in the teaching of history. The aim of the present paper is to discuss the structure of the positivistic philosophy, developed by Auguste Comte in the nineteenth century with the objective of disseminating the necessity for order to make progress viable, and the ideas of Leopold von Ranke who advocated scientific neutrality, thus showing the influence of these autors in the establishment of the public school system and in the teaching of History. Key words: positivism and education, positivism and History teaching. A sociedade contemporânea é originária da organização social que se processou no final do século XVIII, consolidando-se no decorrer do século XIX com o estabelecimento do capitalismo enquanto modo de produção dominante. Sendo assim, esse período se torna fecundo para o entendimento da constituição do mundo capitalista, das reflexões por ele engendradas e sua relação com a educação e o ensino de História. A revolução industrial não causou apenas mudança na forma de produzir e distribuir mercadorias, mas, principalmente, imprimiu um novo dinamismo nas relações comerciais entre as nações, influenciando uma nova forma de vida e de trabalho. Esse dinamismo, iniciado em alguns países da Europa, aos poucos, foi atingindo todo o globo. Com o enriquecimento surgido através da produção em grande escala de bens de consumo, ou seja, de mercadorias, criou-se a necessidade do aperfeiçoamento da produção e da expansão do mercado consumidor. Essas transformações atingiram toda a estrutura social, causando inúmeros protestos, revoltas e guerras, levados a cabo por aqueles que ficaram excluídos dos benefícios dessa nova fonte de produção de riquezas. Com o crescimento da indústria e as novas descobertas que incrementaram o desenvolvimento da ciência, criou-se a idéia de um progresso contínuo da sociedade. A idéia de que a finalidade do mundo era esse progresso ininterrupto fazia com que fossem rejeitadas todas as manifestações que ameaçassem esse processo. Os detentores do poder econômico e, conseqüentemente, do poder político perceberam, bem cedo, a necessidade da ordem enquanto forma de garantir o progresso. No campo das idéias, originou-se daí o chamado pensamento positivista, através dos escritos de Condorcet, Saint-Simon e Auguste Comte, este último considerado o fundador dessa concepção, que visava, principalmente, a redução das diferenças, das contradições sociais no século XIX. Partindo do pressuposto de que nenhuma concepção pode existir fora de sua historicidade, pois todo pensador estabelece um diálogo com seu tempo, esse objeto será discutido no contexto histórico em que essas concepções se desenvolveram. O Positivismo O final do século XVIII foi marcado pela Revolução de 1789, que pôs fim à ordem antiga,