A preocupação com o fazer Jornalismo a partir de sua história passada e imediata Renata Costa Resumo: Resenha do livro História do jornalismo no Brasil Palavras Chave: Richard Romancini & Claudia Lago, jornalismo, história Abstract: Book review História do jornalismo no Brasil Keywords: Richard Romancini & Claudia Lago, journalism, history ROMANCINI, Richard e LAGO, Claudia. História do jornalismo no Brasil. Florianópolis: Insular, 2007. A história do jornalismo se confunde com a história do Brasil, diz qualquer livro de estudos de jornalismo. A repetição, no entanto, não torna a afirmação menos verdadeira, já que o tempo a tem comprovado como tal. Há exatos 200 anos, a família real portuguesa fugia de Napoleão e desembarcava no Rio de Janeiro trazendo no navio pessoas capacitadas e equipamentos para realizar impressões tipográficas aqui. Sempre houve tentativas – antes e depois de 1808 – para fazer circular informações pelo país, porém elas eram, na maioria das vezes, rechaçadas por Portugal, que não tinha interesse em promover a educação e o letramento na colônia. Além da questão do analfabetismo, vários outros fatores dificultavam o processo, entre eles a ausência de urbanização no país, condição quase obrigatória para o desenvolvimento da imprensa. Nesse panorama, a imprensa teimava em se desenvolver por e para poucos letrados em solo brasileiro. Antes da chegada da família real, todo impresso deveria ser feito em Portugal e, portanto, receber o aval das autoridades do país. Com o estabelecimento da corte no Brasil, o caminho para o pedido da bênção encurtou- se, mas a crítica ao reinado permanecia proibida nos folhetos que circulavam entre os brasileiros. Portanto, na «Gazeta do Rio de Janeiro», primeiro periódico rodado no país, cuja primeira edição foi lançada em 10 de setembro de 1808, o Brasil era ilusório, e questões como a independência ou a libertação dos escravos eram assuntos que passavam distantes de suas páginas. A história da imprensa no Brasil tem sido estudada e analisada por historiadores e jornalistas. E casos como o da «Gazeta do Rio de Janeiro» facilitam as análises focadas nas relações do jornalismo com o poder. O mais famoso livro utilizado na academia e referência de leitura para alunos de jornalismo e curiosos em geral é «História da Imprensa no Brasil», de Nelson Werneck Sodré, onde o autor faz uma análise sob a perspectiva marxista das relações existentes entre o jornalismo, a imprensa e o sistema econômico. O livro de Sodré faz uma excelente reconstituição histórica, sempre sob o ponto de vista de um historiador. Outros acadêmicos brasileiros, até mesmo jornalistas, também publicaram seus estudos nessa área com grande acuidade científica e histórica. Faltava, no entanto, que um jornalista, com linguagem jornalística clara