A longevidade e o envelhecimento Manuela Alvarez . 1 , Tiago Sousa 1 e Zara Teixeira 2 1. Centro de Investigação em Antropologia e Saúde, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra 2. Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra Introdução A longevidade e o envelhecimento são conceitos multidimensionais utilizados em sociologia, psicologia, demografia e biologia. O objetivo principal do presente artigo é analisar a longevidade e o envelhecimento ao nível da espécie humana e das populações que a constituem, motivo pelo qual, ao longo do texto, ambos os conceitos serão utilizados nas dimensões biológica e demográfica. Em biologia, a longevidade é definida pelo valor de idade máximo atingido pela espécie e é estimado a partir da idade do indivíduo mais velho que se conhece. Jeanne Calment, cidadã francesa que morreu em 1997 com 122 anos de idade, entrou para a história ao contribuir com a duração da sua própria vida para a definição da longevidade humana 1 . Em demografia, o termo longevidade pode referir-se à esperança média de vida da população ou à capacidade extraordinária de alguns dos seus habitantes viverem muitos anos acima da média 2 . Em 2015, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estimou a esperança média de vida à nascença da população mundial em 71,4 anos. Este valor esconde a grande variabilidade registada nas populações nacionais que vai desde os 50,1 anos na Serra Leoa até aos 83,7 anos observados no Japão. Neste ranking, a população portuguesa está situada no grupo dos países com maior esperança média de vida à nascença com 81,1 anos 3 (Figura 1).