ATIVIDADE ANTIOXIDANTE E FITOQUÍMICOS EM FRUTOS DE PHYSALIS (Physalis peruviana, L.) DURANTE O AMADURECIMENTO E O ARMAZENAMENTO ANTIOXIDANT CAPACITY AND PHYTOCHEMICAL COMPOSITION OF PHYSALIS FRUIT (Physalis peruviana, L.) DURING RIPENING AND STORAGE Joseana Severo 1* , Cláudia Simone Madruga Lima 2 , Miguel Telesca Coelho 3 , Andrea De Rossi Rufatto 4 , César Valmor Rombaldi 5 , Jorge Adolfo Silva 6 1* Química Industrial de Alimentos, Doutorando em Ciência e Tecnologia Agroindustrial, Universidade Federal de Pelotas, Faculdade de Agronomia “Eliseu Maciel”, Departamento de Ciência e Tecnologia Agroindustrial. Bolsista CAPES. E-mail: josi_severo@yahoo.com.br. 2 Eng a Agr a , Doutoranda em Fruticultura de Clima Temperado, Universidade Federal de Pelotas, Faculdade de Agronomia “Eliseu Maciel”, Departamento de Fitotecnia. Bolsista CAPES. E-mail: clima.faem@ufpel.edu.br. 3 Estudante de graduação, estagiário em Ciência e Tecnologia Agroindustrial, Universidade Federal de Pelotas, Faculdade de Agronomia “Eliseu Maciel”, Departamento de Ciência e Tecnologia Agroindustrial. Bolsista CNPq. E-mail: telesca@hotmail.com. 4 Eng a Agr a , Dr a , Professora do Departamento de Fitotecnia, Faculdade de Agronomia “Eliseu Maciel”, Universidade Federal de Pelotas. E-mail: Andrea.rossi@ufpel.edu.br. 5 Eng. Agr., Dr., Professor do Departamento de Ciência e Tecnologia Agroindustrial, Faculdade de Agronomia “Eliseu Maciel”, Universidade Federal de Pelotas. E-mail: cesarvrf@ufpel.edu.br. 6 Eng. Agr., Dr., Professor do Departamento de Ciência e Tecnologia Agroindustrial, Faculdade de Agronomia “Eliseu Maciel”, Universidade Federal de Pelotas. E-mail: cetajorge@ufpel.edu.br. (Recebido para publicação em 15/04/2009, aprovado em 21/09/2009) RESUMO Com o objetivo de avaliar o teor de compostos fitoquímicos (carotenóides e fenóis totais) e a atividade antioxidante, utilizando o radical ABTS, durante o amadurecimento e o armazenamento, frutos de physalis (Physalis peruviana, L.) foram colhidos em cinco estádios de amadurecimento (1, 2, 3, 4 e 5) e, aqueles correspondentes ao estádio de amadurecimento 4, foram armazenados em atmosfera modificada passiva (AMP) em temperatura refrigerada (4°C ± 1°C) e ambiente (20°C ± 1°C), por 8 dias. Frutos de physalis apresentam significativos teores de carotenóides e fenóis, porém baixa atividade antioxidante. Os teores de carotenóides totais e de fenóis totais foram crescentes até o estádio de amadurecimento 4 e a atividade antioxidante foi superior em frutos nos estádios iniciais de amadurecimento. Os teores de carotenóides totais e de fenóis totais aumentaram durante o armazenamento, entretanto em menor intensidade nos frutos mantidos em AMP sob refrigeração. A atividade antioxidante decresceu após o 2° dia de armazenamento e manteve-se menor nos frutos armazenados sob AMP refrigerada. Não foi possível estabelecer correlação positiva entre os teores de carotenóides totais e fenóis totais e a atividade antioxidante dos frutos de physalis. Palavras-chave: compostos fenólicos; carotenóides; pós- colheita ABSTRACT Aiming to evaluate phytochemical compounds (carotenoids and total phenols) and antioxidant activity, using the ABTS radical, during fruit ripening and storage, physalis fruits (Physalis peruviana, L.) were harvested at five ripening stages (1, 2, 3, 4 and 5) and, those harvested in stage four were stored under passive modified atmosphere (PMA) at cold temperature (4°C±1°C) and room temperature (20°C±1°C), for eight days. Physalis fruits showed significative contents of carotenoids and phenols, however low antioxidant capacity. Carotenoids and total phenols contents increased up to stage four of ripening and the antioxidant capacity were higher in fruits at first stages. Total carotenoids and phenols content increased during storage, however with less intensity in fruits kept at PMA under cold storage. Antioxidant capacity decreased after the 2° day of storage and it was remained lower in fruits storage under refrigerated PMA. It was not possible to correlate positive the antioxidant capacity to total carotenoids and phenols during ripening and storage. Key words: phenols compounds; carotenoids; post-harvest INTRODUÇÃO Physalis (Physalis peruviana, L.) é uma solanácea amplamente cultivada na Colômbia e na África do Sul e seu cultivo está expandindo na Região Sul do Brasil. Seus frutos são uma baga carnosa e globular, com peso que oscila entre 4 e 10g, coberta por um cálice formado por cinco sépalas (RUFATO et al., 2008). Esse fruto tem chamando a atenção dos consumidores pela boa aparência e pelas citações de efeitos positivos à saúde. Estudos com extratos preparados a partir de diferentes partes vegetativas da planta de physalis, demonstram propriedades anti-inflamatórias, anti- carcinogênicas contra células tumorosas da mama "MDA-MB 231" e de indução de apoptose de células tumorosas hepáticas “Hep G2” (WU et al., 2004; HSEIH et al., 2006; WU et al., 2006). Não há, no entanto, informações associadas a esses potenciais em frutos de physalis. De modo geral, essas propriedades estão associadas a moléculas ou a sinergia de moléculas, com características antioxidantes e com atividade de redução de radicais livres (DIMITRIUS, 2006). A atividade antioxidante é atribuída à atividade de enzimas, como superóxido desmutases, ascorbato redutases, catalases e peroxidases, e a compostos do metabolismo secundário como compostos fenólicos (ácidos fenólicos e flavonóides) e terpenóides (carotenos) além de vitaminas (C, E e A). A composição físico-química em termos de compostos fitoquímicos em physalis ainda é pouco estudada. R. Bras. Agrociência, Pelotas, v.16, n.1-4, p.77-82, jan-dez, 2010 77