8 Grazielle Tagliamento² Corpos e experiências lésbicas importam? Para quem? A rede lésbi brasil diálogos entre ativismo e academia RESUMO Este artigo procura compreender, numa perspectiva foucaultiana e dos estudos de gênero, as relações de poder que produzem a invisibilidade das experiências, corpos e práticas relacionadas às lesbianidades no Brasil. Mesmo com diversas pesquisas acadêmicas e perante as trajetórias de ativistas lésbicas pelo país, tais experiências, corpos e práticas seguem invisibilizadas A análise questiona se tais relações estariam se produzindo por meio de discursos que interseccionam o machismo e a misoginia, dentre outras doenças sociais, ao eleger como alvos corpos e experiências que ousam se distanciar das normas colocadas em funcionamento pela heterossexualidade compulsória. Busca ainda pensar sobre as formas como as experiências lésbicas são, muitas vezes, sabotadas pelo próprio movimento social LGBT e por outros movimentos que contribuem para o apagamento desses corpos e práticas, colocando-os como menos importantes. Corpos e experiências lésbicas importam? Para quem? A partir destas reflexões, o texto investiga também a articulação da Rede Nacional de Ativistas e Pesquisadoras Lésbicas e de Mulheres Bissexuais Rede LésBi Brasil, como uma estratégia de resistência aos tempos de obscurantismo acirrados no Brasil desde as eleições presidenciais de 2018. Palavras-chave: Lesbianidades, Lesbofobia, Resistências, Governamentalidade, Rede LésBi Brasil. 1 Professora de Didática do Setor de Educação da Universidade Federal do Paraná. Professora do programa de Pós-Graduação em Educação - PPGE / UFPR. Coordenadora do Núcleo de Gênero e Diversidade Sexual - NGDS da Superintendência de Inclusão, Políticas Afirmativas e Diversidade - SIPAD / UFPR. Pesquisadora e Vice Coordenadora do Laboratório de Investigação em Corpo, Gênero e Subjetividades na Educação - LABIN / UFPR. Pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero - NEG / UFPR. ² Professora Doutora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Tuiuti do Paraná. Pesquisadora do NEPAIDS da USP. Coordenadora Educacional do Centro de Excelência em Gêneros e Sexualidades (CEGES). Dayana Brunetto Carlin dos Santos¹