105 ESPAÇO PRESENTE, MEMÓRIA DE OUTRORA: UNIVERSALISMO E REGIONALISMO NA PROSA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA Juliana SANTINI Toda grande imagem simples revela um estado de alma. Gaston Bachelard O debate acerca da universalidade de que se reveste parte da literatura regionalista brasileira não é novo, pelo contrário, muitos são os estudos que procuraram explicar o processo literário de construção de sentidos que, partindo do dado local, expressam o mais profundo interesse pelo desvendamento de dramas humanos que escapam à circunscrição de caráter geográfco e temporal. A literatura regionalista, desde a concepção de um projeto estético de articulação entre memória e tradição, levado a cabo por alguns escritores da chamada “geração de 30” do Modernismo brasileiro, não se furta da incorporação dessa dialética entre regional e universal, sendo ela mesma pautada na problemática da criação de “[...] mundos de sentido por meio da linguagem poética.” (GONÇALVES, 2005, p.56). O surgimento de novas obras de feição regionalista, crescente desde meados da década de 90 com autores como José Franciso Dantas, Milton Hatoum e Raimundo Carrero, reascende a discussão