Cienc Cuid Saude 2007;6(Suplem. 2):355-363 CONHECIMENTOS E ATITUDES SOBRE A DOENÇA DE CHAGAS ENTRE PROFISSIONAIS DE SAÚDE – PARANÁ, BRASIL Renata Cappellazzo Colosio * Ana Lúcia Falavigna-Guilherme ** Mônica Lúcia Gomes ** Divina Seila de Oliveira Marques *** Eliane Raquel Peres Lala **** Silvana Marques de Araújo ** RESUMO Este trabalho verificou conhecimentos e atitudes sobre a doença de Chagas entre profissionais de saúde da rede pública de Maringá-PR e Paiçandu-PR, de setembro/2004 a julho/2005. A amostra foi calculada, utilizando o programa EPI-INFO/2002, e os participantes definidos por amostragem sistemática. Os instrumentos de coleta de dados elaborados foram testados previamente. Participaram 73 médicos, 73 enfermeiros, 147 auxiliares de enfermagem e 187 agentes comunitários de saúde (ACS), totalizando 480 profissionais. Percentual importante de profissionais de todas as categorias apresentou dúvidas, sobretudo com relação aos principais mecanismos de transmissão da doença de Chagas, reconhecimento de triatomíneos e encaminhamento de denúncias do encontro desses insetos, testes indicados para confirmação do diagnóstico, possibilidade de tratamento etiológico e prognóstico da doença. Para os agentes comunitários de saúde, principal elo entre o usuário e a unidade básica de saúde, as dúvidas foram mais freqüentes. Para manutenção do estado de controle alcançado e atendimento adequado dos indivíduos já infectados pelo Trypanosoma cruzi é necessário investir na vigilância epidemiológica. Para isso, os profissionais de saúde devem estar devidamente capacitados e prontos a promover a educação para saúde. Palavras-chave: Doença de Chagas. Vigilância epidemiológica. Educação para saúde. * Fisioterapeuta. Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). ** Farmacêutica. Doutora. Docente no Departamento de Análises Clínicas da UEM. *** Médica. Doutora. Docente no Departamento de Cardiologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). **** Estatística. Mestranda em Ciências da Saúde pela UEM. INTRODUÇÃO Dentre as doenças endêmicas, a doença de Chagas representa importante problema médico e social nos países afetados, seja pelo grau de morbidade e letalidade, seja pelo alto custo social que representa. No Brasil, o controle da transmissão vetorial foi intensificado nos anos 80 pela Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), mostrando-se eficaz para espécies domiciliadas de triatomíneos. Em 1994, 80% da área endêmica estavam sob vigilância, com taxas de infestação domiciliar inferiores a 5% (1) . Em junho de 2006, o Ministério da Saúde divulgou documento informando que o Brasil estava pronto para receber o certificado internacional de interrupção da transmissão vetorial da doença de Chagas pelo Triatoma infestans (2) . A redução da transmissão vetorial reflete, em médio prazo, na progressiva diminuição das transmissões transfusional e congênita (3) . Isto faz com que o panorama brasileiro esteja basicamente voltado para a vigilância epidemiológica e ao controle dos bancos de sangue, ao lado do grande desafio de fornecer atendimento médico adequado para cerca de 1.900.000 pacientes infectados (2) . A doença de Chagas aguda apresenta grande importância clínico-epidemiológica (4) . Nesta fase, o paciente pode apresentar sinais de porta de entrada da infecção, como o sinal de Romaña e o chagoma de inoculação, associados a sintomas gerais e alterações sistêmicas. Na doença de Chagas crônica, os pacientes persistem com sorologia positiva para T. cruzi, mesmo após o tratamento etiológico específico, e podem apresentar complicações cardíaca e/ou digestiva. Na fase aguda, a presença de parasitos circulantes no exame direto do sangue periférico e