* Doutora em Língua e Cultura, Professora da Universidade Federal da Bahia. E-mail: mmtpaim@ufba.br ** Doutora em Língua e Cultura, Professora da Universidade Federal da Bahia E-mail: silvanar@ufba.br http://dx.doi.org/10.13102/cl.v19i4%20Especial.2860 Os fraseologismos no português falado no Nordeste brasileiro: unidades fraseológicas para designar a pessoa que não gosta de gastar seu dinheiro The phraseologisms in Portuguese spoken in the Brazilian Northeast: phraseological units to designate the person who does not like to spend their money Marcela Moura Torres Paim* Universidade Federal da Bahia Salvador, Bahia, Brasil Silvana Soares Costa Ribeiro** Universidade Federal da Bahia Salvador, Bahia, Brasil Resumo: Este trabalho apresenta resultados de investigação sobre a fraseologia referente ao campo lexical convívio e comportamento social com base nos dados do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (Projeto ALiB). Está vinculado ao Projeto VALEXTRA (Variação lexical: teorias, recursos e aplicações): do condicionamento lexical às constrições pragmáticas, convênio CAPES/COFECUB 838/15 celebrado entre a Universidade Federal da Bahia e a Universidade Paris 13 (Laboratoire Lexiques Dictionnaires Informatique). Busca-se, a partir do material coletado na pesquisa, apresentar um estudo sobre a presença de fraseologismos nas entrevistas dos informantes, oriundos das capitais brasileiras, estratificados por sexo homem e mulher faixa etária de 18 a 30 anos e de 50 a 65 anos e nível de escolaridade fundamental e universitário. O termo fraseologismo está sendo aqui concebido como o fenômeno da linguagem que se exprime através de associações sintagmáticas recorrentes (MEJRI, 1997). Parte-se do princípio de que as unidades fraseológicas são combinações de unidades léxicas, relativamente estáveis, com certo grau de idiomaticidade, formadas por duas ou mais palavras, que constituem a competência discursiva dos falantes, em língua materna, segunda ou estrangeira, utilizadas convencionalmente em contextos precisos, com objetivos específicos, como, por exemplo, as respostas que se obtém para a questão referente à pessoa sovina “como se chama a pessoa que não gosta de gastar seu dinheiro e, às vezes, até passa dificuldades para não gastar?” – mão de vaca, mão-fechada, pão-duro e unha de fome. No que diz respeito aos fraseologismos analisados, podem-se fazer algumas considerações: as criações lexicais analisadas contemplam a polilexicalidade; as unidades fraseológicas refletem uma expressão cristalizada, cujo sentido geral não é literal. Demonstra-se também o uso das expressões fraseológicas no território brasileiro relacionado aos fatores sexo, faixa etária e nível de escolaridade. Assim, as designações enfocadas possibilitam a documentação da diversidade lexical do português falado no Brasil, seguindo os princípios da Geolinguística Pluridimensional Contemporânea em que o registro segue os parâmetros diatópicos, diageracionais, diassexuais e diastráticos. Palavras-chave: Fraseologismos. Variação lexical. Variação social. Projeto ALiB. Abstract: This paper presents research results on the phraseology related to the lexical field, social interaction and social behavior based on the data of the Brazilian Linguistic Atlas Project (ALiB Project). It is linked to the VALEXTRA Project (lexical variation: theories, resources and applications): from lexical conditioning to pragmatic constraints, CAPES / COFECUB 838/15 agreement between the Federal University of Bahia and Paris 13 University (Laboratoire Lexiques Dictionnaires Informatique). From the material collected in the Revista Digital dos Programas de Pós-Graduação do Departamento de Letras e Artes da UEFS Feira de Santana, v. 19, n. Especial, p. 79-90, março de 2018 http://periodicos.uefs.br/index.php/acordasletras/index ISSN 1415-8973 A Revista A Cor das Letras está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.