567 567 ARTE ÉTICA, OBTUÁRIOS E ENVOLVIMENTO POÉTICAS ARTÍSTICAS E PROCESSOS DE CRIAÇÃO ETHICAL ART, OBITUARIES, AND INVOLVEMENT ARTISTIC POETICS AND CREATIVE PROCESSES Maria Cândida Ferreira de Almeida Universidad de los Andes, Colômbia Resumo Neste artigo, procuro tecer algumas aproximações com o tema do silêncio na filosofia como forma de pensar as artes visuais, como expressões capazes de provocar a contemplação, o silêncio e o envolvimento. Embora para muitos a arte não tenha compromisso ético, princípio que há muito se repete em todos os lugares, na filosofia esse compromisso é fundador e, além disso, uma preocupação permanente. Para Platão, que também foi poeta, como voz autoral, a quem foi dada autoridade no âmbito da cultura para falar sobre as coisas mais importantes da vida, ele deve ter sua voz considerada responsável e passível de interrogatório ético do exame filosófico. Antes que a estética moderna construísse uma voz autoral sem compromisso com a ética, a arte estava a serviço do bem, porque era serviçal da beleza. A abordagem do silêncio a partir tema da filosofia se dá, aqui, como forma de indagar se a arte visual é capaz de provocar a contemplação e o silêncio e assim conduzir seus destinatários à ética e ao compromisso com o bem, a partir dos conceitos de obituário, envolvimento e ética trazidos para o campo da arte. Palavras-chave: Ética, obituário, envolvimento Abstract In this article, I try to weave some approaches to the theme of silence in philosophy as a way of thinking about the visual arts, as expressions capable of provoking contemplation, silence and involvement. Although for many arts has no ethical commitment, a principle that has long been repeated everywhere, in philosophy this commitment is founding and, moreover, a permanent concern. For Plato, who was also a poet, as an authorial voice, who was given authority within the culture to speak about the most important things in life, he must have his voice considered responsible and subject to the ethical interrogation of philosophical examination. Before modern aesthetics built an authorial voice without commitment to ethics, art was at the service of good, because it was the servant of beauty. The approach to silence based on the theme of philosophy takes place here as a way of asking whether visual