Geologia USP Série Científica Revista do Instituto de Geociências - USP - 1 - Disponível on-line no endereço www.igc.usp.br/geologiausp Geol. USP Sér. Cient., São Paulo, v. 7, n. 1, p. 1-17, abril 2007 O Manto Litosférico Continental na Região do Cerro de Los Chenques, Argentina: Evidências de Heterogeneidade e Metassomatismo Norberto Rieck Jr. 1 (norberto.rieck@ufrgs.br), Rommulo Vieira Conceição 2,3 , Edinei Koester 3 , Celine Dantas 4 1 Bolsista do CNPq - Brasil - Programa de Pós-Graduação em Geociências - Instituto de Geociências - UFRGS Av. Bento Gonçalves 9500, CEP 91501-970, Porto Alegre, RS, BRA 2 Departamento de Geologia - Instituto de Geociências - UFRGS, Porto Alegre, RS, BRA 3 Laboratório de Geologia Isotópica - Instituto de Geociências - UFRGS, Porto Alegre, RS, BRA 4 UMR - Observatoire Midi Pyrénées, Toulouse, FRA Recebido em 02 de março de 2006; aceito em 09 de agosto de 2006 Palavras-chave: manto litosférico, metassomatismo, Patagônia, Argentina. RESUMO A suíte de xenólitos ultramáficos do Cerro de los Chenques, norte da Patagônia (44°52’19”S/ 70°03’57”W), extremo sul da América do Sul, consiste de amostras do manto litosférico continental. Dados petrográficos, mineralógicos e geoquímicos de rocha total para elementos maiores e menores mostram que os xenólitos, aqui estudados, consistem de espinélio lherzolitos, harzburgitos e websteritos, com paragênese mineralógica primária formada por olivina, enstatita, diopsídio e espinélio. Dados de elementos maiores em minerais mostram que esta paragênese está em equilíbrio, o que pode ser observado pelo Mg# [Mg/(Mg+Fe total )] dos minerais, menor na olivina e maior no diopsídio. Porém, ocorrem instabilidades localizadas com formação de vidro e da paragênese secundária formada por olivina, diopsídio e espinélio. Os xenólitos apresentam ainda dados geoquímicos de rocha total com empobrecimento nos álcalis e nos traços em relação ao manto primitivo, evidenciando o processo de fusão parcial em dois eventos distintos, um relacionado aos peridotitos e outro aos websteritos. Contudo, algumas amostras apresentam também evidências de metassomatismo, denotado pelo re-enriquecimento nos ETR leves em relação aos pesados. Os elementos traço destas amostras mostram um leve enriquecimento dos elementos mais incompatíveis em relação aos mais compatíveis, o que auxilia o entendimento do metassomatismo. Keywords: lithospheric mantle, metasomatism, Patagonia, Argentina. ABSTRACT The Cerro de los Chenques ultramafic xenolith suite from northern Patagonia (44°52’19”S/70°03’57”W), southern South America, consists of continental lithospheric mantle samples. Petrographical, mineralogical and geochemical whole rock data for minor and major elements demonstrate that the Cerro de los Chenques xenoliths include spinel-bearing lherzolite, harzburgite and websterite, with primary mineralogical parageneses formed by olivine, enstatite, diopside and spinel. Mineral chemistry data suggest that this paragenesis is in equilibrium, as can be observed by the Mg# [Mg/(Mg+Fe total )] of the minerals, lower in olivine and higher in diopside. However, local instabilities occured with the formation of glass and secondary parageneses, constituted by olivine, diopside and spinel. Whole rock geochemical data show depletion on the alkalis and on trace elements in relation to primitive mantle, due to partial melting during two distinct events, one of which involved the peridotites, the other, the websterites. Some samples also present signs of metasomatism involving re-charging of light REE relative to heavy REE. The trace elements of these samples demonstrate slight enrichment of the most incompatible elements in relation to the most compatible, helping the understanding of the metasomatic process.