Anais do VI Seminário dos Alunos dos Programas de Pós-Graduação do Instituto de Letras da UFF Estudos de Linguagem Anais do VI SAPPIL Estudos de Linguagem, UFF, n o 1, 2014 [166] DIVERSIDADE COMO ACONTECIMENTO DISCURSIVO: NOTAS SOBRE O PLANO NACIONAL DE CULTURA (2010) Diego Barbosa da Silva Orientadora:Profª. Drª Vanise G. de Medeiros Doutorando Nossa pesquisa de Doutorado, ainda em andamento, visa compreender o funcionamento do discurso da diversidade, isto é, do discurso a favor do outro, de cultura(s) outra(s), que se assenta na transparência do sentido de inclusão de todos os indivíduos e de todas as culturas. É esta evidência da diversidade que encontramos de forma regular nos manuais de Ciências Sociais e de Pedagogia, como algo positivo como uma visão boa e desejável (KOTTACK, 2013; HAVILAND et alii, 2011) e que marca a maioria das materialidades discursivas sobre o tema. Como sabemos, os sentidos de evidência em que se assentam a diversidade cultural são fornecidos pelas formações discursivas (FD) que por sua vez atuam sobre os indivíduos interpelando-os em sujeito e determinando o que pode e deve ser dito. Tal inscrição na FD se dá por meio da memória discursiva ou interdiscurso, uma espécie de eixo vertical que reúne todos os dizeres já-ditos sobre o intradiscurso, o eixo das formulações (INDURSKY, 2003). Isso é possível, pois a memória discursiva é “o saber discursivo que torna possível todo dizer e que retorna sob a forma do pré-construído, o já-dito que está na base do dizível, sustentando cada tomada da palavra” (ORLANDI, 2007 [1999], p. 31). Vale ressaltar que não falamos na memória individual e psicologista, mas na “memória social inscrita em práticas” (PÊCHEUX, 2007 [1990], p. 50).