111 R E S U M O Apresenta-se o intervalo de tempo obtido para uma amostra de carvão recolhida no interior da “estrutura de combustão” detectada no sítio da Valada do Mato. Apesar de se dispor apenas de um só resultado, a raridade de datações absolutas para contextos do Neolítico Antigo em Portugal torna oportuna a sua imediata divulgação, sendo esta a pri- meira data disponível para a neolitização do interior alentejano. A B S T R A C T This brief notice presents the first chronometric date from Valada do Mato, an Ancient Neolithic site in the interior south of Portugal. 1. Objectivos da notícia O sítio da Valada do Mato, Évora, encontrando-se em escavação desde 1995, dispunha, até ao momento, apenas de indicadores tipológicos como base de uma integração cronológica para a ocupação pré-histórica aí registada. Os materiais líticos e cerâmicos recuperados na Valada do Mato encontravam paralelos em contextos do Neolítico Antigo da Costa Sudoeste, ou da Estre- madura portuguesa, áreas geográficas para as quais se admite uma maior precocidade do pro- cesso de neolitização face ao interior alentejano, ainda que não existissem quaisquer indicado- res cronológicos que quantificassem essa anterioridade, e portanto que datassem o arranque do fenómeno nas terras do interior/Sul. A duração desta etapa cultural é, neste momento, impossível de determinar considerando que, e utilizando uma terminologia convencional, os inícios do Neolítico Médio não estão, ainda, cronologicamente definidos na área em questão. Qual a dimensão do intervalo de tempo que decorreu entre o estabelecimento das primei- ras comunidades neolíticas no interior alentejano e a emergência do megalitismo funerário é outra questão central neste debate. A implantação neste território das estratégias produtivas cerca de um milénio (?) antes da construção dos primeiros monumentos megalíticos da região introduz uma dimensão temporal no discurso com inevitáveis consequências nos cenários expli- cativos. Uma datação absoluta para o sítio do Neolítico Antigo da Valada do Mato, Évora MARIANA DINIZ REVISTA PORTUGUESA DE Arqueologia . volume 4. número 2. 2001