CORRESPONDÊNCIA: Gustavo Nobre de Jesus Clinica Universitária de Medicina 2, Hospital Santa Maria, Lisboa, Portugal Recebido em 04/04/2017 Aprovado em 31/08/2017 1. Clinica Universitária de Medicina 2, Hospital Santa Maria, Lisboa, Portugal 2. Faculdade de Medicina, Lisboa, Portugal Conflict of interest The author(s) declare(s) that there is no conflict of interest regarding the publication of this paper. Blood cultures on internal medicine: utilization profile and clinical implications Hemoculturas em medicina interna: perfil de utilização e implicações clínicas Gustavo Nobre de Jesus 1,2 , João Trindade Nave 1,2 , Luís Santos Pinheiro 1,2 , João Meneses Santos 1,2 , Margarida Lucas 1,2 , Rui M. M. Victorino 1,2 ABSTRACT Introduction: recent literature suggests that excessive use of blood cultures could prolong length of stay and hospital costs. Moreover, low positive rates have been reported and positivity predictive scores have recently been proposed. Methods: we conducted an observational prospective study in an Inter- nal Medicine department of a university reference hospital analysing data from all patients to whom BC was requested. Results: blood cultures were performed in 39.9% of 414 admissions. Patients with blood cultures had higher length of stay and underwent more laboratory and imaging diagnostic tests. Global positivity rate was of 7.5%. Patients fulfilling sepsis criteria had a higher positivity rate (21.7%) and there were no positive blood cultures in patients without sepsis, namely in cases of isolated c- reactive protein elevation, leucocytosis or fever. In addition, blood cultures results were not a determi- nant of antibiotic adjust or de-escalation. Conclusions: our data suggest that the use of BC should be done essentially in patients with sepsis criteria, reducing its unnecessary use, although more studies are required to validate such practice. Keywords: Blood Culture. Sepsis. Internal Medicine. Microbiology. RESUMO Introdução: o uso excessivo de hemoculturas tem sido associado a aumento do tempo de internamento e de custos hospitalares. Adicionalmente, a literatura médica reporta taxas de positividade abaixo do esperado, levando à criação de índices de predição de positividade. Métodos: estudo prospectivo ob- servacional conduzido numa enfermaria de Medicina Interna de um hospital terciário, com recolha de dados de todos os doentes a quem foram realizadas hemoculturas. Resultados: em 414 admissões, foram colhidas hemoculturas em 39.9%. Os doentes a quem foram colhidas hemoculturas tiveram maior tempo de internamento e mais exames laboratoriais e imagiológicos pedidos. 7,5% das hemocul- turas foram positivas. Nos doentes com critérios de sepsis a taxa de positividade das hemoculturas foi 21,7% e não houve nenhuma hemocultura positiva em doente sem critérios de sépsis, nomeadamente em doentes com elevação isolada de proteína c-reactiva, leucocitose ou febre. O resultado da hemocul- tura não foi um determinante de de-escalação antibiótica. Conclusões: este estudo sugere que as hemoculturas devem ser colhidas essencialmente em doentes com sepsis, podendo esta prática dimi- nuir o seu sobreuso. Palavras-chave: Hemocultura. Sepse. Medicina Interna. Microbiologia. Artigo Original Medicina (Ribeirão Preto, Online.) 2017;50(4):255-60 DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.2176-7262.v50i4p255-260