Philosophica, 46 Lisboa, 2015, pp. 67-78. O “Sංඅඤඇർංඈ Tඋගංർඈ”: Wൺඅඍൾඋ Bൾඇඃൺආංඇ ൾඇඍඋൾ Fඋൺඇඓ Rඈඌൾඇඓඐൾං ൾ Fඋංൾൽඋංർඁ Nංൾඍඌർඁൾ Ernani Chaves 1 (Professor Associado IV da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Pará) Crítico – como Nietzsche – da “sensibilidade moderna”, que insiste em compreender o “fenômeno trágico” a partir de conceitos “modernos”, Benjamin, em Origem do drama barroco alemão, criticando Max Scheler a partir da definição de tragédia de Willamowitz-Mollendorf, insiste na necessidade de se compreender a “essência da tragédia”, esclarecendo “o caráter essencialmente grego” dos seus conflitos. Com isso, ele queria en- contrar os parâmetros que permitissem distinguir, com maior clareza pos- sível, a tragédia clássica e o drama barroco alemão. Não esqueçamos que a questão da tragédia se tornou um dos temas fundamentais da discussão filosófica e estética, a partir do século XVIII. Tratava-se, entre outros te- mas, de avaliar a importância e a validade da teoria da tragédia contida na Poética, de Aristóteles. Nessa questão, Schiller representou um papel importante e decisivo, na medida em que, contrariando a tradição, “não se atém aos conceitos aristotélicos” 2 e mesmo que tenha lido Aristóteles, este já não é para ele autoridade absoluta, como foi para os franceses e para Lessing, que combatera Corneille e Racine recorrendo ao Estagirita. Esta relativa autonomia em relação à tradição aristotélica, “contribui para que Schiller se emancipasse, em certa medida, do exame exclusivo da tra- gédia, abordando também o problema do próprio trágico” 3 , abrindo, com 1 erna.nic@hotmail.com 2 Ver a respeito Rosenfeld, 1992, p. 8. 3 Ibid., p. 9. Ver também Szondi, 1991, pp. 27 e s.