Informações Econômicas, SP, v. 48, n. 1, jan./mar. 2018. PERFIL DO CONSUMIDOR DE PESCADO EM DOIS MUNICÍPIOS DO LITORAL AMAZÔNICO BRASILEIRO: uma análise com foco em produtos da piscicultura, ano de 2017 1 Marcos Ferreira Brabo 2 Adrielle Regina Ferreira Miranda 3 Renata Helena Pamplona Façanha Serra 4 Breno Gustavo Bezerra Costa 5 Daniel Abreu Vasconcelos Campelo 6 Galileu Crovatto Veras 7 1 - INTRODUÇÃO123456 O termo pescado compreende peixes, crustáceos, moluscos, anfíbios, répteis, equino- dermos, mamíferos e algas de água doce ou sal- gada, utilizados na alimentação humana ou na ela- boração de produtos para nutrição animal (BRA- SIL, 2017). Em 2016, a produção mundial de pes- cado foi de 170,9 milhões de toneladas, sendo 151,2 milhões de toneladas destinadas ao con- sumo humano e 19,7 milhões de toneladas direci- onadas à fabricação de farinha e óleo, produtos não comestíveis usados em rações para mono- gástricos, como peixes, camarões, aves, suínos, cães e gatos (FAO, 2018a; FAO, 2018b). Nesse contexto, a pesca foi responsável pela maior parcela da produção mundial de pes- cado com 90,9 milhões de toneladas, enquanto a aquicultura contribuiu com 80 milhões de tonela- das. Contudo, a produção da pesca está estag- nada em aproximadamente 90 milhões de tonela- das há cerca de duas décadas, em função princi- palmente do estado de sobre-exploração da mai- oria dos estoques. Em compensação, a aquicul- tura é o ramo que mais cresce entre as cadeias de produção animal, cerca de 6,5% ao ano entre 2000 e 2016, superando atividades tradicionais da pecuária, como a suinocultura, a avicultura e a bo- vinocultura. Este cenário evidencia que a deman- 1 Registrado no CCTC, IE-11/2018. 2 Engenheiro de Pesca, Doutor, Professor da Universidade Federal do Pará (e-mail: mbrabo@ufpa.br). 3 Discente do curso de Engenharia de Pesca, Universidade Federal do Pará (e-mail: adriellemiranda2@gmail.com). 4 Bióloga, Professora do Serviço Social da Indústria (e-mail: renata_pamplona@hotmail.com). 5 Engenheiro de Pesca, Doutor, Universidade Federal Rural da Amazônia (e-mail: brenogbcosta@gmail.com). 6 Agrônomo, Doutor, Professor da Universidade Federal do Pará (e-mail: danielvc@ufpa.br). 7 Zootecnista, Doutor, Professor da Universidade Federal do Pará (e-mail: galileu@ufpa.br). da mundial por pescado nos próximos anos será atendida sobretudo por produtos advindos de cati- veiro (FAO, 2018b). No Brasil, a produção de pes- cado em 2016 foi de 1,2 milhão de toneladas, sendo 705 mil toneladas oriundas da pesca e 580,5 mil toneladas da aquicultura. A produção ori- unda do extrativismo foi predominantemente mari- nha e tem experimentado incrementos pouco ex- pressivos nos últimos anos, principalmente em função da sobrepesca. A produção da aquicultura tem crescido significativamente, em especial a cri- ação de peixes de água doce, atividade que car- rega a expectativa de tornar o Brasil um dos maio- res produtores mundiais de pescado (FAO, 2018a; IBGE, 2016). Contudo, esses números ainda são inferiores aos de outras carnes, visto que a produ- ção de frango foi de 12,7 milhões de toneladas, de bovino 8,2 milhões de toneladas e de suíno 3,4 mi- lhões de toneladas (IBGE, 2014). Em relação ao consumo per capita de pescado, o Brasil alcançou 10,6 kg em 2014, valor abaixo da média mundial (20,3 kg) e dos consu- mos nacionais de frango com 42,7 kg/habitante, bovino com 39,6 kg/habitante e suíno com 14,7 kg/habitante (ABPA, 2015; FAO, 2018b). Este ce- nário é propiciado por diversos fatores, em espe- cial pelo preço do produto, principal responsável pelo frango ser a proteína animal mais consumida no Brasil. O pescado também apresenta uma me-