AVANÇOS TECNOLÓGICOS NO MANEJO DO SOLO E DA ÁGUA VISANDO O CULTIVO DE SOJA EM ROTAÇÃO AO ARROZ IRRIGADO José Maria Barbat Parfitt 1 ; Walkyria Bueno Scivittaro 2 ; Maria Laura Turino Mattos 2 ; Antoniony Severo Winkler 3 ; Gustavo Mack Teló 4 Palavras-chave: drenagem superficial, irrigação, várzea, sistematização. INTRODUÇÃO As áreas de terras baixas no Sul do Brasil situam-se, majoritariamente, no Rio Grande do Sul, onde ocupam aproximadamente 5,4 milhões de hectares. Os solos mais comumente encontrados nesse ambiente são Planossolos e Gleissolos, que apresentam como característica marcante a drenagem deficiente (PINTO et al., 2004), condição que favorece o cultivo de arroz no sistema irrigado por inundação contínua. Anualmente, cultivam-se nas terras baixas do Rio Grande do Sul cerca de 1,1 milhão de hectares com arroz, contribuindo com mais de 60% da produção nacional do cereal (IBGE, 2015). Tradicionalmente, o restante da área é utilizado com pecuária de corte extensiva, atividade que, em geral, apresenta níveis baixos de produtividade. Nos últimos anos, porém, cresceu consideravelmente o cultivo de soja em rotação ao arroz irrigado, ocupando, na safra 2013/2014, área próxima a 300 mil hectares (IRGA, 2014). Essa área ainda é relativamente pequena, considerando-se o potencial e a disponibilidade de terras baixas no Estado. A expansão no cultivo de soja em terras baixas deve-se ao aumento do potencial produtivo da cultura e, particularmente, ao cenário favorável de valorização da oleaginosa no mercado internacional. O cultivo de soja em rotação ao arroz irrigado em terras baixas vai além dos benefícios econômicos, destacando- se a melhoria no controle de plantas daninhas, pela utilização de herbicidas não seletivos, como o glifosato, a interrupção no ciclo de pragas e doenças, a possibilidade de implantação do arroz em sistema plantio direto e a incorporação de nitrogênio (N) ao sistema, pela fixação biológica de N2. Da mesma forma, a cultura do milho apresenta potencial considerável de inserção nesse sistema de produção, dado ao alto potencial de produtividade, sob manejo adequado, representando, pois, uma possibilidade de redução na dependência de importação do cereal no Rio Grande do Sul (SILVA et al., 2013). Muito embora nos últimos anos tenham sido disponibilizadas no mercado cultivares de soja com potencial produtivo elevado e mais adaptadas ao ambiente de terras baixas, a produção sustentável dessa oleaginosa e de outras espécies de sequeiro ainda requer avanços tecnológicos, especialmente no que se refere ao manejo do solo e da água, com destaque para o estabelecimento de sistema de drenagem superficial mais eficiente, a melhoria de atributos físicos do solo, a correção da fertilidade do solo e o incremento na fixação biológica de nitrogênio (N). Em algumas regiões arrozeiras do Rio Grande do Sul, há necessidade, também, de adoção de irrigação por superfície, pelas técnicas de sulco/camalhão ou de aspersão. Nesse sentido, o presente texto tem por objetivo apresentar e discutir avanços tecnológicos relacionados ao manejo do solo e da água para o cultivo de soja e outras espécies de sequeiro em rotação ao arroz irrigado no agroecossistema de terras baixas no Sul do Brasil. Reúne informações consolidadas sobre o tema geradas ao longo de mais de 1 Engenheiro Agrícola, Dr., Embrapa Clima Temperado, jose.parfitt@embrapa.br 2 Engenheira Agrônoma, Dra., Embrapa Clima Temperado. 3 Engenheiro Agrícola, Doutorando do Programa de Pós-graduação em Manejo do Solo e da Água da UFPel. 4 Engenheiro Agrônomo, Dr., Pesquisador Visitante, CAPES/Embrapa Clima Temperado.