XV Simpósio Nacional da ABCiber Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura Curando Causas: Educação, trabalho e diversidade na era dos dados Online 7 a 9/12/2022 1 VÍTIMAS INTERNAS DO SUBMUNDO 1 Reprogramação Algorítmica e Ideológica do Imaginário Feminino Priscila Magossi 2 Resumo O presente artigo dedica-se à investigação do modus operandi do submundo da cultura digital, com foco na reprogramação 3 algorítmica de base ideológica do imaginário das vítimas internas. Na circunferência desta pesquisa, o submundo é compreendido pelo oligopólio cartelizado de sites de pornografia, de webcamming e de vendas de “packs” eróticos. Trata-se de uma configuração cibercultural, patriarcal e exploradora da sexualidade na direção da mercadoria, que disponibiliza como único modelo de contrato trabalhista a cessão vitalícia dos direitos de imagem da mulher aos proprietários ocultos para comercialização posterior desses dados (fotos, vídeos e apelido) na rede. Nesse cenário, as vítimas internas são identificadas pelas mulheres, geograficamente localizadas em países periféricos do capitalismo, enlevadas pela visibilidade mediática tipificada do submundo a perderem todos os seus direitos à privacidade e à proteção de dados pelo resto das suas vidas. A reprogramação, por sua vez, é aqui compreendida pelo processo de domesticação do imaginário, cujo ciclo é composto pela reprogramação algorítmica (elaborada por feeds algorítmicos hipercustomizados de conteúdo) e pela reprogramação ideológica do imaginário (mediatizada pelo cinismo empresarial que propositalmente confunde “empoderamento feminino” e “interação com o outro” com controle do outro). Objetiva-se descortinar a violência (sobretudo simbólica e invisível) que permeia (i) o contrato trabalhista dos sites adultos no que tange o retrocesso histórico dos direitos sociais e civis das mulheres, (ii) o processo de rebaixamento da vítima do imaginário cultural à periferia do imaginário social, e (iii) a maneira pela qual proprietários ocultos e capatazes evidentes (influencers digitais e “coachs financeiramente remuneradas para recrutar novas vítimas) encobrem a violência do submundo por meio dos desvios semânticos das narrativas publicitárias na rede. A articulação temática entre comunicação, cibercultura e submundo é feita com base no referencial bibliográfico das teorias críticas da comunicação, da cultura virtual e do imaginário, com destaque para os autores: B. Cyrulnik, C. Castoriadis, E. Morin, E. Trivinho, J. Baudrillard, M. Contrera e T. Adorno. Contribui-se, assim, para o campo de estudo em questão a partir de um ponto de vista necessariamente crítico. Palavras-chave: Comunicação; cibercultura; submundo; vítimas internas; reprogramação algorítmica e ideológica do imaginário. 1 Trabalho apresentado no Painel Temático Afetos, sexualidade e tecnologias: redes de controle e insurgência” do XV Simpósio Nacional da ABCiber Curando causas: educação, trabalho e diversidade na era dos dados, realizado online nos dias 07 a 09 de dezembro de 2022. 2 Priscila Magossi é doutora em Comunicação e Semiótica (PUC-SP), pesquisadora da Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura (ABCiber) e membra do grupo Mídia e Estudos do Imaginário (UNIP): https://priscilamagossi.com/ 3 O conceito “reprogramação (algorítmica e ideológica) do imaginário” é de autoria própria e compõe a pesquisa de Pós-Doutorado da pesquisadora. Iniciada no ano de 2022, sob supervisão da Profª Drª Malena Segura Contrera, na Universidade Paulista, a atual pesquisa refere-se à gestão de dados da investigação de campo sobre o submundo da cultura digital, realizada in loco no Leste Europeu entre os anos de 2015 a 2019, e entre os anos de 2019 a 2021 em território doméstico. A investigação de campo previamente resultou no método New Camming Perspective NCP”, com registro no C.D.T. (1.823), voltado à denúncia da violência simbólica e invisível dos sites adultos contra as suas vítimas internas e externas: https://newcammingperspective.com/.