7 Unoesc & Ciência - ACHS Joaçaba, v. 8, n. 1, p. 7-14, jan./jun. 2017 APRENDER A ENSINAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL: O PAPEL DA UNIVERSIDADE NA FORMAÇÃO DO PROFESSOR Lucinéia Maria Lazaretti 1 Silvia Pereira Gonzaga de Moraes 2 Luciana Figueiredo Lacanallo Arrais 3 RESUMO O objetivo com o presente texto foi promover a reflexão sobre o papel da universidade na formação do professor de Educação Infantil, enfatizando o papel do estágio nesse processo formativo. Diante desse objetivo, foi desenvolvido um estudo bibliográfico, ancorado nos pressupostos da Teoria Histórico-Cultural, associado a um relato de experiência de estágio do Curso de Pedagogia de uma instituição pública do interior do Paraná. Entende-se que a Universidade deve ser o locus privilegiado para a formação do professor, pois garante acesso a conteúdos gerais e específicos que lhe permi- tem compreender a concepção de criança, os processos de aprendizagem e desenvolvimento, o planejamento, a organi- zação do ensino e a rotina escolar. Concomitantemente, a escola básica é um espaço de interlocução com a instituição formadora, que explicita, coletivamente, conhecimentos, habilidades e projetos que possam problematizar e assegurar um ensino que promova aprendizagem e desenvolvimento a todas as crianças. O processo formativo evidenciou os desafios na formação e ação do professor, decorrentes da especificidade da atuação e da constituição histórica do perfil desse profissional. Reitera-se, por fim, a necessidade de compartilhar experiências de formação que ajudem a trilhar novos caminhos perante os desafios que ainda se entrecruzam na atuação docente. Palavras-chave: Universidade. Educação Infantil. Formação e atuação docente. 1 INTRODUÇÃO A área de atuação nas disciplinas de Estágio Curricular Supervisionado e Prática de Ensino em uma universi- dade pública do interior do Paraná tem provocado inquietações, reflexões e debates. A estrutura do Curso de Pedagogia nessa instituição organiza o estágio e a experiência com a docência da seguinte forma: no segundo ano, com a Educação Infantil, no terceiro ano, com o Ensino Fundamental, e no quarto e último ano do Curso, com o Ensino Médio, na Modalidade Normal. Entre essas três modalidades de formação para a docência, a de Educação Infantil é alvo de destaque neste artigo. No trabalho com as turmas de segundo ano, percebemos que a concepção e a dimensão sobre a docência são incipientes no entendimento dos acadêmicos estagiários. Alguns, mesmo tendo cursado no ensino médio a modalidade normal, ao inserirem-se em uma instituição de Educação Infantil, não têm clareza da singularidade da prática educativa nesse nível de escolarização. Nosso interesse, neste trabalho, recai sobre a formação do profissional de Educação Infantil, que “começa a ser discutida com maior vigor após a Lei 9394/96”, tanto nos discursos acadêmicos quanto nos órgãos oficiais em diferentes níveis: federal, estadual e municipal (KISHIMOTO, 1999, p. 63). Por isso, temos por objetivo focalizar o papel da universidade na formação do professor de Educação Infantil, as reflexões e os desafios instalados em relação à parceria entre Universidade e Escola Básica. Diante desse objetivo, 1 Doutora em Educação pela Universidade Federal de São Carlos; Mestre em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho; Professora adjunta do Departamento de Teoria e Prática da Educação na Universidade Estadual de Maringá. lucylazaretti@gmail.com 2 Doutora em Educação pela Universidade de São Paulo; Mestre em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina; Professora na Universidade Estadual de Maringá. silvia.moraes@uol.com.br 3 Doutora e Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Maringá; Professora adjunta do Departamento de Teoria e Prática da Educação na Universidade Estadual de Maringá; llacanallo@hotmail.com