Even Crusoe needs a Friday* os limites dos sentidos da dicotomia universal/local nas literaturas africanas *Afirmação de Ngugi Wa Thiong'o (1997. p. 5): "Production, exchange and consumption in- volve more hands and head than one: it is a so- cial processo Even Cru- soe needs a Friday!" . Este texto continua a re- flexão da comunicação apresentada na mesa dedicada a Dos Impas- ses - XX. ln: ENCON- TRO BRASILEIRO DE PROFESSORES DE LI- TERATURA PORTU- GUESA, Universidade Federal Fluminense - Niterói, Rio de Janeiro, 23-26 de Agosto de 2005. Gragoatá Recebido 20. jul. 2005/ Aprovado 20, set. 2005 Inocência Mata Resumo Este ensaio pretende discutir a perversa oposição que muitos críticos - sobretudo da crítica jornalística, mas também da crítica "académica"- estabelecem entre local e universal na literatura africana, rotulando como local aquele escritor que traz para a cena literária as urgências da socieda- de em que vive. Este pensamento maniqueísta tal- vez decorra do facto de muita crítica da literatura africana se fazer, ainda, por via de mediações do "centro" que, em rigor, continua a funcionar como "centro metropolitano" e a quem convém a rarefacção (ou desvanecimento) do real histórico e a desconsideração da "identidade nacional". Considerando um equívoco crítico o estabelecimen- to de qualquer oposição disjuntiva entre o univer- sal e o local, o texto propõe antes uma articulação conjuntiva de efeito dialéctico em que o solapa- mento do local gera, pela dinâmica da significa- ção simbólica, o universal. Cabe ao crítico literário, cujo exercício é inseparável das suas opções ideo- lógicas, e também como partícipe de uma memó- ria do sistema literário, iluminar os sinais de uma identidade que se quer inscrita na agenda da lite- ratura universal, nas suas segmentais identida- des civilizacionais. Palavras-chave: universaV1ocal; centro/periferia; (teoria) pós-colonial: cânone; ocidente; "mediações metropolitanas ". Niterói, n. 19, p. 11-26,2. sem. 2005