VIOLÊNCIA EM MEIO ESCOLAR EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE NO SÉCULO XXI: TEORIAS, MODELOS E PRÁTICAS 911 A VIOLÊNCIA COMO FATOR DE VULNERABILIDADE NA ÓTICA DE ADOLESCENTES ESCOLARES Marta Angélica Iossi Silva 1 & Beatriz Oliveira Pereira 2 Resumo O objetivo deste estudo foi compreender como é que os adolescentes escolares percebem a violên- cia em suas diferentes formas e expressões e em que medida cada uma destas dimensões é perce- bida como fator de vulnerabilidade. O estudo é de natureza qualitativa, utilizando como técnica de coleta de dados entrevistas semi-estruturadas aa dolescentesde 10 a 19 anos. A análise dos dados foi realizada por meio da análise de conteúdo temática baseando-se em princípios hermenêutico- dialéticos. A violência social, em particular a delinqüência juvenil, comunitária e escolar é apon- tada enquanto um fator de vulnerabilidade o que nos leva a considerar que para impedirmos a sua (re) produção, as iniciativas sócio-políticas devem procurar responder aos desafios de tirá-la da clandestinidade; compreender melhor o seu processo de produção e formar profissionais compro- metidos no seu enfrentamento. Palavras-chave Adolescência; violência; vulnerabilidade. INTRODUÇÃO A adolescência constitui um período da vida onde, se manifesta a interação entre os aspectos individuais, a socialização, o desenvolvimento cognitivo e os valores construídos ao longo das experiências de vida, além de um potencial para o desenvolvimento de novas habilidades e oportunidades que se configuram no conjunto de características que dão unidade ao fenômeno da adolescência. A proposta de atenção e proteção integral na adolescência é intervir nesse processo por meio de ações que satisfaçam as necessidades dos adolescentes, e permitam o desenvolvimento de competências e habilidades, tornando-os parte de redes sociais e assim possibilitar a redução da vulnerabilidade. A noção de vulnerabilidade procura particularizar as diferentes situações dos sujeitos em três planos analíticos, ou seja, a vulnerabilidade individual, social e institucional, cuja pretensão é a busca da síntese em contraste ao caráter eminentemente analítico do conceito de risco, pedindo, portanto, olhares para múltiplos planos e, em particular, para estruturas sociais vulnerabilizantes ou condicionantes de vulnerabilidades reconhecendo a determinação social dos problemas e adversidades vividas na atualidade por um contingente significativo de adolescentes (Ayres et al., 2003; Sánchez; Bertolozzi, 2007). Apesar das mudanças verificadas no âmbito legal com o reconhecimento cada vez mais ampliado dos direitos sociais desta parcela da população, temos como contraponto a potencialização da problemática de adolescentes em situação de vulnerabilidade social e pessoal, nos centros urbanos, nas instituições e no interior de seus lares no que concerne 1. Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, Centro Colaborador da OMS para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem. maiossi@eerp.usp.br 2. Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho – Portugal. ÍNDICE Jorge Bonito e Universidade de Évora (2008) Educação para a Saúde no Século XXI: Teorias, Modelos e Práticas ISBN: 978-989-95539-3-4