RACIOCÍNIO CLÍNICO NA SALA DE URGÊNCIA CLINICAL REASONING AT THE EMERGENCY DEPARTMENT Fábio F. Neves 1 , Antônio Pazin-Filho 2 1 Médico assistente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP, 2 Docente do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP. CORRESPONDÊNCIA: Unidade de Emergência do HCRP, Centro de Estudos de Emergência em Saúde, Rua Bernardino de Campos, 1000. Centro, Ribeirão Preto – SP. CEP 14015-130. Telefone: (16) 3602-1225 / Fax: (16) 36021248. (E-mail: fabioneves@hcrp.fmrp.usp.br) Neves FF, Pazin-Filho A. Raciocínio clínico na sala de urgência. Medicina (Ribeirão Preto) 2008; 41 (3): 335-42. RESUMOS: O raciocínio clínico é o exercício de julgar sobre incerteza durante o cuidado do paciente. Nenhum ambiente médico é tão rico em incertezas quanto à sala de urgência, sendo o raciocínio clínico muitas vezes dificultado por diversos fatores, como a necessidade de tomada de decisões rápidas, sobrecarga de trabalho do médico, equipe mal treinada, dados clínicos incom- pletos, interrupções freqüentes e pacientes pouco colaborativos. Entretanto, neste ambiente mui- tas vezes caótico se concentram a maior densidade de decisões na prática médica, muitas delas vitais. Este artigo irá utilizar-se de casos clínicos ilustrativos para descrever primeiramente o modelo clássico de raciocínio clínico, bem como salientar outros modelos que surgem em função das peculiaridades da atuação em emergência, com o objetivo de auxiliar no desenvolvimento de autocrítica para o processo diagnóstico, buscando a redução de erros evitáveis. Descritores: Raciocínio Clínico. Resolução de Problemas. Tomada de Decisões. Compe- tência Clínica. Medicina de Emergência. Diagnóstico Clínico. 335 Medicina, Ribeirão Preto, 2008; 41 (3): 335-42 TEMAS DE ENSINO MEDICO 1- RACIOCÍNIO CLÍNICO NA SALA DE UR- GÊNCIA O raciocínio clínico pode ser definido como o exercício de julgar sobre incerteza durante o cuidado do paciente ou o caminho cognitivo que o médico se- gue na tomada de decisão. 1;2 Nem sempre a prática médica é exercida num contexto baseado em evidências científicas. Muitas vezes, as evidências não estão disponíveis e as deci- sões são tomadas de forma arbitrária sob a influência da experiência do médico e da expectativa dos paci- entes. Para diminuir a possibilidade de erro é funda- mental o treinamento dos médicos nos processos cog- nitivos que auxiliam na tomada de decisão. 3 O atendimento às emergências pode apresen- tar algumas peculiaridades no processo de raciocínio clínico. A sala de urgência é um ambiente rico em incertezas, onde o raciocínio clínico é dificultado por diversos fatores, como a necessidade de tomada de decisões rápidas, sobrecarga de trabalho do médico, equipe mal treinada, dados clínicos incompletos, inter- rupções freqüentes, além de pacientes e familiares pouco colaborativos. 4 Entretanto, neste ambiente mui- tas vezes caótico se concentram a maior densidade de decisões na prática médica, muitas delas vitais. 2;5 Este artigo irá utilizar-se de casos clínicos ilus- trativos para descrever primeiramente o modelo clás- sico de raciocínio clínico, bem como salientar outros modelos que surgem em função das peculiaridades da atuação na emergência, com o objetivo de auxiliar no desenvolvimento de autocrítica para o processo diag- nóstico, buscando a redução de erros evitáveis. CASO I: o Dr. Prudente chega ao hospital para o seu plantão semanal na Sala de Urgência.