21 1. CAPITALISMO, CLASSE E A FRONTEIRA DA MERCADORIA: EM DEFESA DA DIALTICA, CONTRA A ARITMTICA VERDE (PRLOGO) Jason W. Moore Escrevendo em meio ao maior boom econômico na his- tória do capitalismo, um historiador texano chamado Walter Prescott Webb acreditava que o colapso era iminente. O ano era 1952. Webb argumentava que o capitalismo moderno foi pos- sível por causa da Grande Fronteira, aberta em 1492. A Europa, chamada por ele de “Metrópole”, era pobre em 1492; ela enri- queceu por meio dos windfall profts (algo como “ganhos inusi- tados”) que a “descoberta” forneceu ao capitalismo moderno. Tais windfall incluíam terras férteis, forestas, campos e rique- zas minerais. Como todo windfall desse tipo, eles não eram fruto do trabalho duro, como na fábula de Adam Smith sobre burgue- ses parcimoniosos e trabalhadores. Para Webb, os windfall fo- ram golpes de sorte biológicos e geológicos. A essência de sua teoria windfall do capitalismo moderno era a seguinte: Nada promove mais o capitalismo que um windfall, tal como, tal como a descoberta de um poço de petróleo em uma terra sem valor, o crescimento de uma cidade em torno de acres sem valor ou a herança de algum pa- rente. Nós temos visto pessoas humildes se tornarem e se comportarem como capitalistas da noite para o dia. Esse é de longe o modo mais fácil de se conseguir uma fortuna… o nosso ponto de partida pode ser o seguinte: … o capitalismo moderno tem se desenvolvido de modo inédito desde a abertura da Grande Fronteira e o capita- lismo como um sistema econômico nunca teve grandes reveses até tal fronteira fechar. 1 1 WEBB, Walter Prescott. The Great Frontier: A Disappearing Boom. The Georgia Review, v. 8, n. 1, p. 17-28, 1954.