Margarida Medeiros • Reis, V. & Tavares, E. (coord.) (2017). Imagem Paradoxal - Francisco Afonso Chaves (1857- 1926). Lisboa: Museu Nacional de Arte Contemporânea Museu do Chiado vista nº 2 • 2018 • memória cultural, imagem e arquivo • pp.286 – 290 286 Reis, V. & Tavares, E. (coord.) (2017). Imagem Paradoxal - Francisco Afonso Chaves (1857-1926). Lisboa: Museu Nacional de Arte Contemporânea Museu do Chiado Margarida Medeiros Naquele Império, a Arte da Cartografia chegou a tal perfeição que o mapa de uma só Província ocupava toda uma Cidade, e o mapa do Império, toda uma Província. Com o tempo, estes Mapas Desmesurados não eram satisfatórios, e os Colégios de Cartógrafos levantaram um Mapa do Império, que tinha o tamanho do Império e coincidia com ele ponto por ponto. Menos obcecadas com o Estudo da Cartografia, as Gerações Seguintes entenderam que esse mapa dilatado era Inútil e não sem Impiedade entregaram-no às Inclemências do Sol e dos Invernos. Nos desertos do Oeste perduram despedaçadas, as Ruínas do Mapa, habitadas por Animais e Mendigos; em todo o País não existe outra relíquia das Disciplinas Geográficas” Suárez Miranda, Viajes de Varones Prudentes, Libro Cuarto, Cap. XLV, Lérida, 1658. Jorge Luis Borges, “O Rigor da Ciência”. In Historia universal de la infâmia, 1948, posteriormente incluída, em 1961, em “El hacedor” Hoje em dia tudo existe para acabar numa fotografia (Susan Sontag) O catálogo que acompanhou as três exposições sobre a obra fotográfica, essencialmente estereoscópica, do coronel Francisco Afonso Chaves (Lisboa - Museu do Chiado, Lisboa – Museu de História Natural, Ponta Delgada – Museu Carlos Machado) constitui-se como um livro de investigação sobre uma das mais extraordinárias coleções portuguesas de fotografia.