Revista de MorfologiaUrbana (2022) 10(2): e00265 Rede Lusófona de Morfologia Urbana ISSN 2182-7214 Espaços-tipo e movimento: alterações configuracionais em edifícios que sofreram mudança de uso Júlia da Cruz Gouveia de Barros Monteiro a b , Luiz Manuel do Eirado Amorim b e Cristiano Felipe Borba do Nascimento c a Universidade Federal de Pernambuco, Departamento de Arquitetura e Urbanismo, Recife, PE, Brasil. E-mail: amorim@ufpe.br b Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Sítio Roberto Burle Marx, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. E-mail: julia.monteiro@iphan.gov.br c Fundação Joaquim Nabuco, Recife, PE, Brasil. E-mail: cristiano.borba@fundaj.gov.br Submetido em 22 de outubro. Aceito em 31 de outubro de 2022. https://doi.org/10.47235/rmu.v10i2.265 Resumo. As edificações podem ser entendidas como artefatos culturais que produzem e reproduzem lógicas sociais de ocupação e de movimento por meio das funções genéricas do espaço. A partir dessa premissa, tem-se por objetivo identificar os efeitos sobre as possibilidades de movimento que são gerados por alterações nos padrões de permeabilidade espacial em edifícios. A análise é realizada a partir dos conceitos de espaço-tipo e de tipos de movimento — fully closed / fully open, como definidos por Bill Hillier — nos edifícios dos museus das Minas e do Metal e do Memorial Minas Gerais Vale, projetos de mudança de uso de exemplares originalmente concebidos para abrigar secretarias do Estado de Minas Gerais. Palavras-chave. espaços-tipo; fully open; fully closed; ocupação; movimento. Introdução Este artigo resulta de uma pesquisa de mestrado (MONTEIRO, 2018) em que se discute o efeito da mudança de uso em edificações, e consequente alteração no sistema espacial, sobre os tipos de movimento de usuários em seu interior. A investigação fundamenta-se nas noções de função genérica (ocupação e movimento), de espaços-tipo (e suas posições relativas no sistema espacial) e nos diferentes tipos de movimento — entendidos aqui como o potencial de movimento propiciado pela configuração espacial, tomando como base os conceitos de fully open e fully closed (HILLIER, 1996). Parte-se do pressuposto de que edifícios são artefatos culturais (HILLIER; HANSON, 1984) e que revelam elementos da história social no que diz respeito aos indivíduos, às suas relações sociais e a como se alteram ao longo do tempo, função de propósitos e princípios organizacionais e seus eventos ritualísticos (MARKUS, 1993). Compreende- se, assim, que edifícios medeiam a relação entre indivíduos, ora promovendo, ora dificultando encontros e esquivanças. Quando tais regras de comportamento social apresentam-se mais flexíveis, constituem programas arquitetônicos mais fracos, ou modelos curtos; quando mais rigorosas, continuem programas mais fortes, ou modelos longos. Eventos de modelos curtos favorecem a geração de novos padrões de relacionamento e maximizam a possibilidade de encontros; já os de modelos longos tendem a ser mais conservadores (HILLIER; PENN, 1991).