ISSN: 1519-9894 / e-ISSN: 2179-2194 periodicos.ufsm.br/fragmentum Fragmentum, Santa Maria, v. 55, p. 9-16, jan./jun. 2020 DOI: https://doi.org/ 10.5902/2179219447243 APRESENTAÇÃO GESTOS DE RESISTÊNCIA DAS/NAS LÍNGUAS DE SINAIS Lívia Letícia Belmiro Buscácio (INES) Angela Correa Ferreira Baalbaki (UERJ) Resistência, Línguas de sinais e sujeito surdo. Muitos são os desdobramentos nestes gestos de resistência: desde ações nos movimentos sociais na luta por políticas de estado pelo surdo e pelas línguas de sinais aos saberes do lugar acadêmico sobre esse sujeito, inclusive, no lugar do pesquisador; à circulação de saberes sobre as línguas de sinais, signifcadas no status de língua conforme cada escopo teórico; até gestos de análise sobre as políticas linguísticas e o processo de gramatização da Língua de sinais. Neste desdobrar, saberes linguísticos encontram-se (e tensionam-se) com saberes pedagógicos na produção de diretrizes para o ensino de línguas, da Libras, da Língua portuguesa. Gestos de resistência, tomados como matéria do discursivo, são constituídos pela cisão e pela contradição no dizer de um sujeito que pensa dominar e ser origem do que diz, esquecimentos reforçados pelo lugar de produção de conhecimento, como nos ensina Pêcheux (2009). É, pois, pensar em um resistir clivado pela contradição da história e do sujeito naquilo que não damos conta e ainda assim almejamos deter, ou melhor: a resistência se dá no interior mesmo da história (em seu motor – a luta de classes) e no interior do sujeito (em seu motor – o inconsciente). O sujeito – lembram? Dividido e assujeitado – se encontra aí na alienação e na resistência, com suas certitudes e seus lapsos, enfm, na contradição que o constitui (FERREIRA, 2015, p. 163). A proposta do número 55 da Fragmentum é fazer casa para as dobras nos saberes sobre o surdo e as línguas, abrigando artigos, gestos tradutórios, resenha de livro e resumos de teses de várias vertentes dos estudos linguísticos, por vezes, em elo com o pedagógico, e dos saberes pedagógicos.