RELATOS DE EXPERIÊNCIAS Internet @ RNP. BR: um novo recurso de acesso à informação Patricia Corrêa Henning Resumo Apresenta a Rede Nacional de Pesquisa (RNP), projeto do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), coordenado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Descreve sua proposta básica de conectar a comunidade acadêmica brasileira à Internet. Traça um breve histórico das redes acadêmicas de computadores nos Estados Unidos e no Brasil. Introduz o seu público à Internet, por meio de uma sucinta descrição dos seus principais serviços: correio eletrônico, acesso remoto e transferência de arquivos. Palavras-chave Transferência da informação; Redes de informação; Internet; Rede Nacional de Pesquisa/RNP/Brasil. Este trabalho é parte de uma pesquisa em anda- mento para a obtenção do grau de mestre em Ciência da Informação, curso da Universidade Fe- deral do Rio de Janeiro/Instituto Brasileiro de In- formação em Ciência e Tecnologia, sob a orienta- ção da professora Mana Nazaré Freitas Pereira. INTRODUÇÃO Internet @ rnp.br é a arquitetura de forma- ção de um endereço eletrônico na rede Internet, que permite o acesso a um gran- de número de recursos informacionais (referências bibliográficas, endereço de pessoas, arquivos de domínio público, lis- tas de discussão etc.) disponíveis em paí- ses que já consolidaram a indústria da in- formação on-line. Tal acesso, no Brasil, é possível mediante a Rede Nacional de Pesquisa (RNP), um projeto do Ministério da Ciência e Tecnolo- gia (MCT), coordenado pelo CNPq, que vi- sa a implantar no Brasil uma rede de com- putadores interligados, para fins não co- merciais, de apoio à pesquisa e educação. BREVE HISTÓRICO As redes de computadores começaram a se formar, nos Estados Unidos, a partir de 1969, com a Arpanet, rede experimental do Departamento de Defesa americano criada para dar apoio à pesquisa militar. O sucesso foi tão grande, que a comuni- dade acadêmica americana, liderada pela National Science Foundation, uma agência governamental, começou, na década de 80, a formar sua própria rede. Criaram-se seis centros com supercomputadores, em pontos estratégicos, onde redes esta- duais/regionais se formaram, possibilitan- do a qualquer instituição acadêmica se co- nectar com o seu vizinho mais próximo. Esta rede, conhecida por NSFnet, visava a apoiar a pesquisa e educação, proporcio- nando à comunidade de pesquisadores, educadores e estudantes uma comunica- ção rápida e eficaz, resultando, mais tarde, na conexão do meio acadêmico americano com seus congêneres em outros países. No Brasil, os primeiros esforços surgiram em 1938, com a instalação de três cone- xões distintas com os Estados Unidos. Inicialmente, o Laboratório Nacional de Ciência da Computação (LNCC) tornou-se integrante da rede americana Bitnet*, em setembro de 1988, por meio da Universi- dade de Maryland. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo * Because lt's Time Network/Bitnet – rede que uti- liza o protocolo RSCS, mais apropriado para computadores IBM. (Fapesp), em novembro de 1988, integrou- se à Bitnet é a Hepnet pelo Fermi National Laboratory de Chicago, e, finalmente, a Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ), em março de 1989, conectou-se também à Bitnet por intermédio da Universidade da Califórnia, Los Angeles (Ucla) 1 . Tanto o LNCC, quanto a Fapesp e a UFRJ tinham o mesmo objetivo: conectar-se ele- tronicamente a outras universidades e centros de pesquisa no exterior, ampliando o potencial de comunicação dos seus pesquisadores brasileiros. Como conse- qüência, várias instituições afins foram se ligando a uma das três, formando-se natu- ralmente a primeira geração de redes aca- dêmicas no Brasil. Embora o uso da Bitnet possibilitasse uma razoável comunicação, algumas limitações de tecnologia levaram as instituições bra- sileiras a recorrer a alternativas mais efi- cientes: uma nova arquitetura de redes mais aberta à interconexão de sistemas diferentes e a adoção de diversos tipos de protocolos e de equipamentos 1 . A exemplo dos Estados Unidos, o Brasil se interessou em adotar o protocolo de comunicação* Transmission Control Pro- tocol/lnternet Protocol TCP/IP, muito di- fundido no meio acadêmico internacional, que consiste em um conjunto de vários protocolos, entre eles o Simple Mail Transfer Protocol (SMTP), referente ao Correio Eletrônico, o File Transfer Protocol (FTP), correspondente à Transferência de Arquivos, e o Telnet, correspondente ao Acesso Remoto 1 . Esta tecnologia de pro- tocolos usada para interligar uma infinidade de redes deu origem à "Rede das Redes", conhecida também como Internet, da qual a RNP faz parte. A REDE NACIONAL DE PESQUISA Quando optou pela adoção do protocolo de comunicação TCP/IP, a RNP possibilitou a expansão do acesso aos recursos e ser- viços disponíveis em rede à comunidade acadêmica e científica, abrindo, assim, as portas para a segunda geração de redes acadêmicas no Brasil. * Protocolo de comunicação significa um conjunto de normas- padrão que permite a conversa entre computadores. Ci. Inf., Brasília, 22(1): 61-64, jan./abr. 1993. 61