Construção de identidades profissionais em educação de infância: comparação de percursos no sector público e no sector privado Margarida Marta, Amélia Lopes Jardim-de-infância de Gondezende do Agrupamento Vertical de Olival – Vila Nova de Gaia Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto Palavras-chave: Construção de identidades profissionais; educação de infância; percursos de formação e trabalho; educação pública. Em Portugal, o sector público da educação pré-escolar é recente e ainda parcial. O seu desenvolvimento, profundamente marcado pelo 25 de Abril de 1974, traduziu-se em novos projectos de formação e contextos de trabalho, e, portanto, na emergência de novas identidades profissionais em educação de infância. O sector privado, entretanto, tomou novas formas e alargou o seu âmbito. De forma mais nítida do que acontece com outros profissionais da educação básica, os/as educadores/as de infância são desde o início da sua socialização profissional confrontados com dois projectos profissionais bem diferenciados, ainda que assemelhados em algumas das suas dimensões: o do sector privado (ele próprio com situações diversificadas) e o do sector público. Nesta comunicação, apresentam-se e discutem-se resultados de uma investigação levada a cabo enquanto primeira etapa de um trabalho de investigação mais abrangente que, preocupado com a configuração de uma narrativa coerente sobre a educação pública, visa elaborar sobre o impacto das experiências de trabalho no sector público na construção da identidade profissional de educadores/as de infância. Nessa primeira etapa, com o objectivo de conhecer os aspectos comuns e específicos à construção de identidades profissionais em cada um dos sectores, comparámos os processos de construção de identidades profissionais em educadoras de infância com percursos de formação e de trabalho apenas no sector público e apenas no sector privado. Tendo por referenciais teóricos nucleares a construção de identidades sociais e profissionais em Claude Dubar (1997) e a ego-ecologia de Marisa Zavalloni (Zavalloni, 1979; Louis-Guérin, & Zavalloni, 1984), a recolha de dados foi efectuada com uma versão adaptada do Inventário de Identidade Social (Louis-Guérin, & Zavalloni, 1984), o qual inclui uma fase de preenchimento escrito e uma fase de entrevista segundo o Método de Contextualização Representacional (ibid.). Foram entrevistadas 11 educadoras com percursos no sector privado e 11 educadoras com percursos no sector público. Os resultados indicam existir nos dois casos uma forte identificação das educadoras ao grupo a que pertencem e uma forte oposição em relação ao grupo a que não pertencem. As crianças, a satisfação profissional, o sentimento de responsabilidade e as relações com as colegas são referentes da identidade profissional, também nos dois casos. As diferenças identitárias entre os dois grupos dizem respeito à ideologia que lhes assiste, aos pressupostos em que assenta cada um dos programas de acção e ao clima organizacional, profundamente marcado pelos estilos de liderança e com impacto no tipo de relações entre colegas e com as comunidades e famílias. Termina-se reflectindo sobre as implicações dos resultados para o estabelecimento do lugar da educação de infância na configuração de uma narrativa coerente sobre a educação pública. Introdução O alargamento da educação pré-escolar é genericamente referido, quer em estudos de investigação quer na justificação de políticas nacionais e internacionais, como condição fundamental na promoção do sucesso escolar e da inclusão social, na configuração da sociedade do conhecimento e no desenvolvimento e aprofundamento da vida democrática. Em Portugal, a taxa de cobertura da educação pré-escolar passou de 12, 6% em 1977/1978 para 77, 4% em 2004/2005. Nesta evolução, o sector privado desempenhou um forte papel sendo a sua taxa de resposta à infância até ao início do novo milénio sempre superior à taxa de cobertura assegurada pelo sector público. Com efeito, embora se possa afirmar que o sector público da educação pré-escolar tem sofrido um forte desenvolvimento é também verdade que podemos dizer exactamente o brought to you by CORE View metadata, citation and similar papers at core.ac.uk provided by Repositório Aberto da Universidade do Porto