45 Braz J vet Res anim Sci, São Paulo, v. 42, n. 1, p. 45-52, 2005 Valor nutritivo da cana-de-açúcar tratada com doses de hidróxido de sódio e rolão de milho João Batista de ANDRADE 1 Evaldo FERRARI JÚNIOR 1 Rosana Aparecida POSSENTI 1 Frederico Fontoura LEINZ 2 Diorandi BIANCHINI 2 Carlos Frederico de Carvalho RODRIGUES 2 1- Departamento do Instituto de Zootecnia do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Nutrição Animal e Pastagens da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Nova Odessa - SP 2- Unidade de Pesquisa e Desenvolvimento de Itapetininga da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Itapetininga - SP Correspondência para: JOÃO BATISTA DE ANDRADE Instituto de Zootecnia Rua Heitor Penteado, 56 - Centro Caixa Postal 60 13460-000 - Nova Odessa - SP jbandrade@izsp.br Recebido para publicação: 05/09/2002 Aprovado para publicação: 15/03/005 Resumo Foram desenvolvidos no Instituto de Zootecnia, em Nova Odessa, SP, três experimentos para avaliar o valor nutritivo da silagem de cana-de-açúcar tratada com 0,50% de uréia, e nãop adicionada de NaOH, e com 0,25% NaOH e com 0,50% NaOH. Em cada um desses experimentos foram adicionados 0, 40, 80 e 120 kg de rolão de milho/t de cana-de-açúcar, na ensilagem. Cada um dos experimentos foi desenvolvido em delineamento de blocos ao acaso com quatro repetições. A análise dos três experimentos em conjunto, mostrou efeito do tratamento da cana-de-açúcar com NaOH e da adição de rolão na redução da produção de álcool etílico. Houve aumento da digestibilidade e do consumo de matéria seca e de nutrientes digestíveis totais com o tratamento da cana-de-açúcar com NaOH e com a adição de rolão de milho, na ensilagem. Palavras-chave: pH. Ácidos orgânicos. Estanol. Digestibilidade. Silagem. Cana-de-açúcar. Valor nutritivo. Introdução Embora a cana-de-açúcar apresente baixo valor nutritivo, o alto potencial de produção aliado à possibilidade de fazer um único corte, tem atraído a atenção dos pecuaristas para sua utilização como forragem. Boin, Mattos e DArce 1 , observaram que a fibra da cana-de-açúcar é de baixa digestibilidade, embora o teor seja relativamente baixo na matéria seca da planta. Essa baixa digestibilidade da fibra pode ser contornada utilizando substâncias químicas que aumentem a digestibilidade da matéria seca, através de solubilização de parte da fibra. Dentre as substâncias mais utilizadas para o tratamento de materiais fibrosos estão os hidróxidos de sódio, cálcio, potássio e de amônio. 2,3,4 Entretanto, o NaOH, quando utilizado em doses elevadas, que são mais efetivas na solubilização dos componentes da fibra, pode contaminar o ambiente, devido ao alto teor de sódio nas dietas, uma vez que este aparece em alta concentração na urina e fezes dos animais. 2 Losada et al. 5 , em experimento para determinar o consumo de cana-de-açúcar tratada com diferentes doses de NaOH, verificaram aumento linear no consumo (6,82, 7,66, 7,80 e 8,12 kg de matéria seca/ dia) da cana-de-açúcar tratada com 0, 2, 4 e 6% de NaOH na matéria seca. Os animais tinham acesso a uma mistura de melaço/ uréia e recebiam 1 kg de farelo de arroz/dia. Jackson 3 citou dados, nos quais o tratamento da palha da cana-de-açúcar com 5 a 8% de NaOH aumentou a digestibilidade da matéria seca. Porém, o autor concluiu que este tratamento, em razão do pequeno aumento na digestibilidade, ainda pode não ser economicamente viável. Klopfernstein 4