| N.º 17/18 | 2012 47 Geoturismo slow: mais do que apenas um tipo de turismo PAULO SÁ CAETANO * [ pcsc@fct.unl.pt ] VICTOR LAMBERTO ** [ vlamberto@gmail.com ] Palavras-chave | Geoturismo, Movimento Slow, geodiversidade, Desenvolvimento local. Objetivos | A primeira definição de Geoturismo, apresentada pelo geólogo T. Hose em 1995, afirma que “consiste na disponibilização de serviços e meios interpretativos que permitem ao visitante adquirir conhecimentos e compreensão sobre a geologia e geomorfologia de um local (incluindo o seu contributo para o desenvolvimento das Ciências da Terra), que vai para além da mera apreciação estética” (Hose, 1995). Definições mais recentes (e.g. Newsome & Dowling, 2010) remetem, sem dúvida, para um tipo de turismo claramente virado para a geodiversidade de uma região e para o seu potencial de atração turística. A controvérsia que tem surgido acerca da definição do tipo de turismo inerente ao geoturismo, e a discussão sobre a “pertença” da parte “geo” do termo, resulta de uma outra definição apresentada em 2002, na revista National Geographic Traveler (pelo jornalista Jonathan Tourtellot que a propôs em primeiro lugar em 1997), que lhe atribui um carácter não exclusivamente geológico: “Geotourism is “best practice” tourism that sustains, or even enhances, the geographical character of a place, such as its culture, environment, heritage, and the well-being of its residents”. O “carácter geográfico” aqui referido procura realçar o sentido, a identidade ou a integridade do lugar (Tourtellot, 2011). Numa tentativa de promover a “conciliação” dos termos, o autor sugeriu a inclusão explícita da palavra “geologia” e, atualmente, na designada “declaração de Arouca” (resultante da discussão que teve lugar no congresso internacional de geoturismo realizado em Arouca, em novembro de 2011) encontra-se a proposta do seguinte texto: “Geoturismo deve ser definido como o turismo que sustenta e incrementa a identidade de um território, considerando a sua geologia, ambiente, cultura, valores estéticos, património e o bem-estar dos seus residentes”. No entanto, a discussão não parece ter-se pacificado... (vide post de Jonathan Tourtellot em http://newswatch. nationalgeographic.com/2011/11/16/). Nesta comunicação, através da apresentação de exemplos de percursos geoturísticos realizados no âmbito, e seguindo a filosofia do projeto “Slow Itineraries”, pretende-se dar um contributo para esta discussão, propondo a alternativa do “geoturismo slow”. Metodologia | O projeto “Slow Itineraries”, que o movimento Slow Food, despoletado em 1986, tem vindo a desenvolver, promove a integração e o usufruto de paisagens, saberes e sabores de cada região, de uma forma lenta, respeitadora e valorizadora das comunidades locais e do território envolvidos, tendo sempre presente conceitos queridos ao movimento Slow, como a lentidão, o convívio, os produtos locais e sazonais, os alimentos bons, limpos e justos. Neste contexto, foi criado um conjunto de itinerários geoturísticos slow, que pretendem valorizar o território onde se inserem, e onde o património geológico surge como ferramenta essencial para a leitura dos espaços e como fator * Doutor em Geologia pela Universidade Nova de Lisboa, Professor Auxiliar na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. ** Mestre em Planeamento Mineiro pelo Instituto Superior Técnico (UTL), Dirigente da Associação Slow Food Alentejo.