ANCHIETA, PEREIRA. Tradução de contos achebianos: progressão narrativa e estratégias tradutórias Belas Infiéis, v. 1, n. 1, p. 43-54, 2012. 43 43 TRADUÇÃO DE CONTOS ACHEBIANOS: PROGRESSÃO NARRATIVA E ESTRATÉGIAS TRADUTÓRIAS Amarílis Anchieta (Mestranda - UnB) amarilisanchieta@gmail.com Fernanda Alencar Pereira (UnB) alencarfernanda@yahoo.com.br Resumo: O presente artigo discorre sobre algumas das possibilidades de tradução de cinco contos do escritor nigeriano Chinua Achebe. Ele se encaixa em um grupo de escritores que, para ser lido num contexto nacional, precisa que seu texto seja escrito em inglês e não na língua materna, o igbo, no caso de Achebe. Por conta dessa característica, escritores como ele adotam uma postura que busca encontrar soluções tanto estéticas quanto linguísticas. Achebe promove então uma reterritorialização do inglês para que consiga lidar com o contexto africano. A tradução deve, portanto, abarcar a hibridez linguística do texto e buscar estratégias para solucionar as questões decorrentes desse multilinguismo, sem que incorra em seu apagamento. Palavras-Chave: Tradução comentada, Literatura africana, Chinua Achebe. Abstract: This article discusses possible ways to translate five short stories by the Nigerian writer Chinua Achebe. He is considered to be in a group of writers who must write in English in order to have a national readership, instead of writing in igbo, his native language. These authors tend to seek both aesthetic and linguistic solutions. Achebe promotes a repossession of English so that it can deal with the African context. Translation should, therefore, embrace the linguistic hybridity of the text and find strategies to solve the issues arising from this multilingualism, without erasing them. Keywords: Annotated translation, African Literature, Chinua Achebe. nigeriano Chinua Achebe contista, ensaísta, romancista é um dos mais respeitados escritores africanos da atualidade e, em seus textos, é possível perceber os contrastes e os efeitos da chegada e da imposição da cultura ocidental sobre o povo Igbo, sua etnia. Achebe influenciou um novo movimento de romancistas que passaram a lidar com o choque cultural entre o velho e o novo na sociedade nigeriana. A escolha de escrever em língua inglesa apresenta-se como um paradoxo, pois, por ter como origem uma língua praticamente inexistente no plano literário, o igbo, escritores como Achebe só conseguem ser lidos por um público considerável se passarem a ser “escritores traduzidos”. Ele é, portanto, considerado um autor “traduzido” sem que tenha passado por um processo de tradução no sentido formal. A noção de “escritor traduzido” é aquela apresentada por Pascal Casanova (2002, p. 315), que define a posição desses escritores como sendo “ladrões de fogo”, ou seja, a língua “dada” a eles é considerada um “presente envenenado” ou “roubo O