Simpósio de Pesquisa dos Cafés do Brasil 599 RESISTENCIA À FERRUGEM DO CAFEEIRO DE PROGÊNIES DE HÍBRIDOS DE CATUAÍ E MUNDO NOVO COM O HÍBRIDO DE TIMOR SILVA, Marcelo Barreto (UNIVALE); ZAMBOLIM, Laércio (DFP/UFV) e-mail:zambolim@mail.ufv.br; PEREIRA, Antônio Alves (EPAMIG); SAKIYAMA, Ney Sussumu (DFT/UFV); VALE, Francisco Xavier Ribeiro (DFP/UFV) RESUMO: Estudou-se a resistência vertical (RV) em 53 híbridos de Catuaí e Mundo Novo com o Híbrido de Timor inoculando-se mudas de café com a raça II de Hemileia vastatrix Berk. et Br. Dos 53 materiais testadas mais de 50 % apresentaram RV, isto é não segregaram para suscetibilidade. Os materiais que segregaram para suscetibilidade, foram submetidos a análise para resistência horizontal avaliando-se o período de incubação (PI), o período latente (PL), a intensidade de esporulação (IE) e o número de lesões (NL). O PI foi muito variável para os diversos materiais estudados ( 23 dias para a UFV 6970, e 41 dias para a UFV 6862). A maioria dos materiais estudados apresentaram índice de esporulação igual a 4 (poucos esporos nas lesões), o que demonstra que tais materiais apresentam resistência horizontal. Em conclusão, a maioria dos materiais estudados apresentaram RV; àqueles que segregaram, a maioria apresentou RH à ferrugem do cafeeiro. ABSTRACT: Resistance to coffee leaf rust in the progenies of the hybrids of Catuaí and Mundo Novo with the Tymor Hybrid The vertical resistance (VR) of 53 hybrids of Catuaí and Mundo Novo crossed with the Tymor Hybrid was studied in the greenhouse inoculating coffee seedlings with the race II of Hemileia vastatrix Berk. et Br. Of the 53 materials tested, more than 50 % showed VR to the fungus. The materials that segregated for the suscetibility were submited an analyses for horizontal resistance (HR). The incubation period varied from 23 days for the progenie UFV 6970 to 41 days for the progenie UFV 6862. The great majority of the materials had sporulation index iqual do 4 (few spores on the lesions) indicating high level of HR. In conclusion the great majority of the materials tested showed VR; the materials that segregated for suscetibility the great majority had high levels of HR to coffee leaf rust fungus. INTRODUÇÃO No Brasil, tem-se observado que as perdas ocasionadas pela ferrugem do cafeeiro são variáveis, em decorrência das diferenças climáticas regionais, da altitude e das variações ao longo dos anos. Estima-se, em média, que há redução de produção dos cafeeiros em cerca de 35 a 40 %; se a incidência da doença coincidir com períodos de estiagem prolongada as perdas pode chegar a 50 %, se nenhuma medida de controle da doença for realizada (ZAMBOLIM et al. 1999). Diante dessa estimativa de perda, para o caso da cafeicultura brasileira, em que mais de 50% dos cafeicultores não adotam medidas de controle da ferrugem e entre aqueles que a realizam, a maioria não consegue controlar integralmente a doença, pode-se prever redução na produção anual brasileira de 5 milhões de sacas de café beneficiado. Isso equivale a um prejuízo da ordem de 500 milhões de dólares para os cafeicultores brasileiros, sem considerar os gastos efetuados com fungicidas, equipamentos e mão-de-obra por aqueles que praticam o controle químico da doença. A importância econômica da doença, portanto, é o maior estímulo à utilização de cultivares resistentes para se evitar ou, pelo menos, minimizar os prejuízos por ela ocasionados. Além das vantagens de ordem econômica, o plantio de cafeeiros resistentes à ferrugem reduzirá a contaminação do ambiente, por possibilitar a diminuição do uso de agroquímicos na cafeicultura. Programas de melhoramento genético do cafeeiro, visando à obtenção de cultivares resistentes a H. vastatrix, vem sendo conduzido por diversos centros de pesquisas (SREENIVASAN et alii, 1993; MAWARDI e HULUPI, 1993; CASTILLO-ZAPATA e MORENO-RUIZ, 1988; ECHEVERRI, 1987; VAN der VOSSEN e OWUOR, 1981; CHAVES, 1976; MÔNACO et alii, 1974; CARVALHO e MÔNACO, 1971); SERA et al., (1994) e PEREIRA & SAKIYAMA, 1999). O programa de melhoramento do cafeeiro que vem sendo desenvolvido pelo Departamento de Fitopatologia da UFV/ EPAMIG, desde 1972, no Estado de Minas Gerais, vem dando ênfase aos cruzamentos da variedade Caturra Vermelho e Mundo Novo x Híbrido de Timor. Fonte Financiadora: CONSÓRCIO BRASILEIRO DE PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DO CAFÉ; FAPEMIG; FINEP