A TEMPORALIDADE NA DOCUMENTAÇÃO ORAL: UM ESTUDO DE CASO DO PROJETO “MEMÓRIAS DO COMÉRCIO DE CAFÉ EM SANTOS” Bruno Bortoloto do CARMO Museu do Café, Santos, São Paulo – Brasil. bruno@museudocafe.org.br Palavras chaves: ORALIDADE, TEMPORALIDADE, TRABALHO, CAFÉ, SANTOS (CIDADE). PUBLICAÇÃO: autorizo a publicação digital nos anais do congresso. RESUMO Quando determinado acontecimento se passou? No momento da entrevista ou após ela, quando analisamos o material coletado por nossos projetos de História Oral, ficamos tão sedentos por formalidades de temporalidades reconhecíveis que nos esquecemos de voltar a olhar o documento por suas camadas de informação. Uma delas, muitas vezes implícita dentro da narrativa. São múltiplas as temporalidades que podem estar presentes dentro de um depoimento e seria um erro ignorá-las em detrimento de uma temporalidade histórica formal. Ao analisar a documentação oral gerada pelo projeto “Memórias do Comércio de Café em Santos” que foi coletada entre os anos de 2011 e 2013, perceberam-se diversas temporalidades dentro do cotidiano dos mais diferentes ofícios ligados ao comércio e exportação do café na cidade. Portanto, nessa comunicação pretende-se analisar e evidenciar, como nos ensina BOSI (2007) na secção Tempo e Memória no livro “Memória e Sociedade: lembrança dos velhos”, as diversas formas dos depoentes em se situar no tempo e espaço, resgatando, assim, por meio do acesso de suas memórias, aspectos do cotidiano dessas profissões que marcaram o trabalho com o café da cidade no século XX. Desde o ano de 2011, o Museu do Café desenvolve projetos de História Oral que visam mapear e estudar a estrutura do comércio do café na cidade de Santos, São Paulo, Brasil. Em princípio, foram feitos depoimentos na cidade, buscando as práticas cotidianas do comércio do café, intitulado “Memórias do Comércio do Café”; no ano de 2014 o projeto expandiu-se para o interior visando o resto da cadeia produtiva. No desenvolvimento desses projetos, apesar de nos utilizarmos de referências que nos guiem metodologicamente 1 e que nos advirta de possíveis dificuldades que encontraremos no caminho, muitas questões aparecem no decorrer das entrevistas. 1 MEIHY; José Carlos Sebe B.; RIBEIRO; Suzana L. Salgado. Guia Prático de História Oral para empresas, universidades, comunidades, famílias. São Paulo: Contexto, 2011; ALBERTI, Verena. Manual de História Oral. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2005; PEREIRA, Jesus Vasquez; WORCMAN, Karen. (coord.). História falada: memória, rede e mudança social. São Paulo: Sesc Sp: Museu da pessoa: Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2006.