Análise da entoação de declarativas em espanhol, português brasileiro e espanhol/LE com PentaTrainer2 Cristiane C. Silva 1 , Plínio A. Barbosa 2 1 Grupo de Estudos de Prosódia da Fala, Instituto de Estudos da Linguagem, Unicamp, Brasil 2 Grupo de Estudos de Prosódia da Fala, Instituto de Estudos da Linguagem, Unicamp, Brasil cris.silva.unicamp@gmail.com, pabarbosa@gmail.com Resumo Neste estudo, analisamos duas funções comunicativas transmitidas pela entoação: a função de proeminência e fronteira em espanhol peninsular (doravante E/LM), português brasileiro (doravante PB/LM) e espanhol como língua estrangeira (doravante E/LE). Para isso, utilizamos o modelo PENTA e aplicamos a ferramenta automática PENTATrainer2. A aplicação da ferramenta permitiu avaliar o poder de síntese de contornos melódicos em duas línguas diferentes (português e espanhol (esta última falada tanto por nativos como por estrangeiros) e em dois estilos diferentes: leitura e narração. Os resultados mostraram que a precisão do modelamento é similar à encontrada por [1,2] a partir da análise de um corpus semelhante em PB e PE (português europeu). Palavras-chave: modelamento entoacional, estilos de fala, prosódia entre línguas 1. Introdução O modelo PENTA, diferentemente de outros modelos entoacionais, está motivado articulatoriamente, ou seja, o modelo assume que os mecanismos relacionados com a articulação guiam a geração dos contornos de F0. Este estudo tem por objetivo testar o poder explicativo do modelo ao: (1) estender o domínio prosódico da sílaba para a palavra fonológica; (2) testar o modelo em duas línguas diferentes - português e espanhol (como língua materna e como língua estrangeira), e em diferentes estilos de fala e, finalmente, (4) apresentar uma primeira proposta de esquemas de codificação para a transmissão das funções comunicativas de proeminência e fronteira analisadas. 2. Modelo PENTA Inicialmente, Xu e Wang [3] propuseram o modelo de aproximação do alvo (TA) a partir da análise acústica de dados sobre o tom e a entoação do mandarim. Nesse modelo, definiram os alvos de pitch como as menores unidades operáveis articulatoriamente associadas com níveis de pitch com função linguística, ou seja, relacionados com os tons ou com os pitch accents. Assim, definiram dois alvos de pitch que podem ser dinâmicos, especificados como [ascendentes] ou [descendentes] ou estáticos, especificados como [altos] ou [baixos]. Posteriormente, Xu [4] propôs que o modelo TA não se limitasse apenas à realização de tons lexicais, mas que servisse também como mecanismo de base para a codificação de outros significados comunicativos relacionados com a F0. Em outras palavras, ele tornou explícito no modelo que outras funções além do tom lexical fossem codificadas através do processo de aproximação do alvo. Para isso, propôs o Modelo de Codificação Paralela e Aproximação do Alvo (modelo PENTA) definido pela manipulação dos seguintes parâmetros: gama de pitch (extensão do alvo de pitch), força articulatória (velocidade de aproximação do alvo de pitch), duração do hospedeiro (quantidade de tempo para a aproximação do alvo de pitch). Dessa forma, o modelo PENTA assume que a prosódia da fala deve transmitir funções comunicativas de forma paralela através de esquemas de codificação individuais e que, apesar de serem abstratos, tais esquemas de codificação sempre estão ligados às funções comunicativas. Assim, é por meio do processo de aproximação do alvo que se mantém uma ligação contínua entre as funções comunicativas e os contornos de F0. Seguindo os pressupostos anteriores, o modelamento efetivo da prosódia só poderá ser alcançado se os esquemas de codificação das funções comunicativas forem simulados. Por isso, Xu e Prom-on [5,6] propuseram o modelo quantitativo de aproximação do alvo (qTA) que é a implementação dos modelos TA e PENTA. Assim, o contorno de F0 será a resposta do processo de aproximação dos alvos de pitch subjacentes. Esses alvos de pitch estão associados ao domínio do hospedeiro (para os autores será sempre a sílaba) e especificam os alvos que se pretende alcançar quando o movimento de F0 é realizado. Na implementação matemática do modelo, para cada hospedeiro, o F0 é calculado seguindo a Equação 1: 0 () = (. + ) + ( 1 + 2 .+ 3 . 2 ). −. (1) Os coeficientes da Equação 1 são: (m) inclinação do alvo, (b) altura do alvo e (λ) força do alvo. Já os coeficientes (c1, c2 e c3) estão relacionados com as condições iniciais, ou seja, asseguram que os valores de F0 em um intervalo inicial tenham o mesmo valor, a mesma inclinação e curvatura no intervalo imediatamente precedente. O efeito dos valores de (m, b e λ) sob a forma do contorno de F0 pode ser visto na Figura 1: