1 Capítulo 38. Gestão do conhecimento e deficiência visual: critérios de acessibilidade Ingrid Weingartner Reis (U. Técnica Particular de Loja –Ecuador–) Artieres Estevão Romeiro (U. Técnica Particular de Loja –Ecuador–) I. Introdução As tecnologias digitais da informação e comunicação (TDIC) são parte da vida das pessoas em praticamente todo o mundo, seja de forma direta ou indireta. Essa expansão ao longo dos anos se deu de maneira tridimensional, expandiu e expande o alcance, a complexidade e a capacidade de atender às diversas necessidades humanas (Badr & Asmar, 2020; Bühler, 2016; Cinquin et al., 2018; Kimura, 2018; Pomputios, 2020; Rodríguez-Fuentes et al., 2020). A sociedade da informação e do conhecimento demanda cada dia mais que as TDIC garantam a todas as pessoas, independentemente de sua situação social, cultural ou funcional, o acesso às informações e conhecimentos (Badr & Asmar, 2020; Bossey, 2020). Neste sentido, desde a criação da internet, existe a preocupação de que ela seja acessível a todas as pessoas. Isso significa que, tanto técnica, quanto informacionalmente, existem elementos a serem observados na criação de conteúdos e de aplicativos (Babu & Xie, 2016; Bhardwaj & Kumar, 2017; Kesswani & Kumar, 2016; Macedo, 2010; Pivetta et al., 2014; Ulbricht et al., 2012). A compreensão do que é ser acessível, no entanto, parece não ser algo tão consensual e se analisada de maneira superficial, pode trazer prejuízos às pessoas que necessitam de recursos adaptativos e tecnologicamente acessíveis (Kumar & Sanaman, 2013; Moustakas & Tzovaras, 2009; Naniopoulos & Tsalis, 2015; Sánchez & Mascaró, 2011; Shaheen & Watulak, 2019). II. Delimitação do problema Este artigo tomou como base estudos realizados ao longo dos 15 últimos anos sobre uso de ferramentas destinadas a pessoas com deficiência visual e outras deficiências. Considerando a integralidade do ser humano, suas diferentes facetas e necessidades, o estudo abrangeu ferramentas e mesmo métodos direcionados para educação, para a vida profissional, lazer e cultura. É fundamental considerar que o estudo está enfocado na gestão do conhecimento e não somente no uso de TDIC. Dessa forma, os estudos selecionados deveriam apresentar categorias do ciclo de criação do conhecimento SECI (Takeuchi & Nonaka, 2009). A criação do conhecimento definido por Takeuchi e Nonaka (2009) é um processo basilar, que toma em conta a conversão de conhecimento tácito a conhecimento explícito para gerar novos conhecimentos. A interação gerada entre os indivíduos, num ambiente intencional ou com as condições adequadas, gerará nas organizações ou onde quer que seja, a possibilidade de novos conhecimentos.