Revista Escrita Rua Marquês de São Vicente, 225 Gávea/RJ CEP 22451-900 Brasil Ano 2014. Número 19. ISSN 1679-6888. escrita@puc-rio.br REFLEXÕES SOBRE LÍNGUA E IDENTIDADE POSSÍVEIS DIÁLOGOS ENTRE JACQUES DERRIDA E STUART HALL Nivana Ferreira da Silva é aluna do Mestrado em Letras: Linguagens e Representações da Universidade Estadual de Santa Cruz e bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia. Atua na área de filosofia da linguagem, numa interface entre os estudos da linguagem e a desconstrução. E-mail: nivana.fs2@gmail.com Élida Ferreira é doutora e professora titular - Mestrado em Letras: Linguagens e Representações da Universidade Estadual de Santa Cruz. Atua na área de filosofia da linguagem, numa interface entre os estudos da linguagem e a desconstrução. E-mail: epferreira@uesc.br Resumo Este artigo propõe refletir sobre a relação entre língua e identidade na perspectiva da desconstrução do filósofo Jacques Derrida, em diálogo com o teórico jamaicano dos estudos culturais Stuart Hall. Observamos de que maneira as discussões de Derrida e Hall são pertinentes para os estudos da linguagem, levando em conta suas consequências epistemológicas e considerando o diferente comprometimento teórico de cada autor. Abstract This work aims to reflect on the relationship between language and identity from the desconstruction perspective of the philosopher Jacques Derrida, in a dialogue with the jamaican theorist from the cultural studies Stuart Hall. We observed in what way Derrida and Hall discussions are pertinent to the language studies, considering their epistemological consequences and considering the different theoretical commitment of each author. 1) Introdução Na esteira da desconstrução de Jacques Derrida, em diálogo com os estudos culturais contemporâneos (WOODWARD, 2009; SILVA, 2009; HALL, 2009), muito se tem discutido sobre a questão da identidade, tema que nos dá margem para pensarmos as concepções de sujeito, significação e, sobretudo, de língua. Observamos emergir, no chamado pós-estruturalismo, mais especificamente nas reflexões sobre linguagem, discussões em torno do caráter múltiplo do sujeito, do seu discurso, assim como da heterogeneidade dos sentidos produzidos. Tais problematizações, em consonância com a perspectiva histórica e sociológica dos estudos culturais (HALL, 2011), reforçam que a língua não se resume a um construto abstrato e que ela não existe independentemente de um sujeito, cuja identidade, acima de tudo, é um sistema de significação. Com o propósito de compreender o que acabamos de apontar, discutimos neste artigo como se estabelece a relação entre língua e identidade, partindo da hipótese de que as construções identitárias ocorrem na e pela língua (FERREIRA, 2002; RAJAGOPALAN, 1998), isto é, a identidade se constitui como uma prática de significação submetida ao jogo da linguagem, considerando que o sujeito, histórica e sociologicamente situado, é uma figura discursiva (HALL, 2009; 2011). Para reiterar esse posicionamento, abordaremos as conceituações em torno dessa temática apresentadas por Jacques Derrida (1973; 2001a; 2001b) e por Stuart Hall (2009; 2011), cujas obras se inserem no que foi denominado, na contemporaneidade, de pós- estruturalismo e estudos culturais, respectivamente. As formulações derridianas, de um lado, apontam para uma perspectiva desconstrutivista da linguagem (FERREIRA, 2002) e nos permitem tecer possíveis diálogos com a proposta de Hall sobre a identidade, ainda que cada um dos autores atue em campos teóricos distintos. Sob essa ótica, trataremos, inicialmente, das formulações de Derrida em torno da problemática levantada em O Monolinguismo do Outro (2001a) acerca da possibilidade 10.17771/PUCRio.escrita.23775