© Cadernos de Dereito Actual Nº 3 (2015), pp. 351-361 · ISSN 2340-860X
Recibido: 02/07/2015. Aceptado: 08/11/2015.
O ESTADO SOCIAL E OS DIREITOS SOCIAIS- UM NOVO
PARADIGMA?
Social State and social rights - A new paradigm?
MARIA MANUELA MAGALHÃES SILVA
1
DORA RESENDE ALVES
2
Universidade Portucalense Infante D. Henrique
Sumário: Introdução; 1. O Estado Social; 2. A estrutura da Constituição
Portuguesa quanto aos direitos fundamentais; 3. Os direitos sociais na Constituição
Portuguesa; 4. No direito da União Europeia; 5. A vivência dos direitos
fundamentais. Conclusão.
Resumo: O ideal do Estado Social só surgiu com o final da II Grande Guerra,
portanto, nos anos 50 do século XX. Ideal esse que foi resultado das consequências
das duas grandes guerras e pela situação dos Estados nesse contexto. Com a
mudança de paradigma, de um Estado abstencionista para um Estado
intervencionista as Constituições passaram também a consagrar uma nova geração
de Direitos fundamentais, os Direitos sociais em sentido amplo, que exigem a
intervenção do Estado para se efetivarem, que de um modo geral constam de
normas programáticas, não exequíveis por si mesmas.
Após o avanço histórico de consagração de direitos sociais nos textos
constitucionais, deparamos no século XXI com um contexto generalizado de crise
económica e social na Europa em que os Estados têm dificuldade em cumprir as
regras fixadas nas suas Constituições e satisfazer o respeito pelos Direitos sociais.
Atendendo ao texto da Constituição da República Portuguesa de 1976 (CRP) e
à atuação do Tribunal Constitucional português, foca-se a atenção na vivência feita
dos direitos sociais, sem esquecer a menção aos textos europeus mais relevantes,
com especial atenção para a relevância jurídica da Carta dos Direitos Fundamentais
da União Europeia, após a entrada em vigor do Tratado de Lisboa, e sua presença
na jurisprudência do Tribunal de Justiça da União Europeia.
1
Doutora em Direito. Professora Associada. Membro integrado e Investigadora principal do
Instituto Jurídico Portucalense (IJP) da Universidade Portucalense Infante D. Henrique,
investigadora associada do Centro de Investigação em Direito Europeu, Económico,
Financeiro e Fiscal – CIDEEFF, da Faculdade de Direito de Lisboa e investigadora
colaboradora do Centro de Estudios Politicos y Constitucionales Comparados – CEPCC, da
Universidade Autonoma do Chile.
2
Mestre e doutoranda em Direito. Professora Auxiliar Convidada da Universidade
Portucalense Infante D. Henrique.