64 NÚMERO ESPECIAL Percepções de mulheres sobre o momento do parto e a assistência obstétrica recebida Miria BENINCASA, Universidade Metodista de São Paulo Adriana NAVARRO, Universidade Metodista de São Paulo Neliane Lazarini de Sousa BETTIOL, Universidade Metodista de São Paulo Maria Geralda Viana HELENO, Universidade Ibirapuera Este estudo teve como objetivo investigar a percepção de mulheres primíparas, com gestação de baixo risco sobre à assistência recebida e a experiência de trabalho de parto e pós-parto imediato. A amostra foi composta de 90 mulheres e os dados coletados por meio de entrevistas, que foram gravadas, transcritas e analisadas por meio da análise de conteúdo, que gerou cinco categorias. Três apriorísticas que são: – intervenções durante o parto; sentimentos vivenciados durante o trabalho de parto, pós-parto imediato e relacionamento com a equipe. E duas que emergiram da análise dos dados: violência obstétrica percebida e violência obstétrica não percebida. Os resultados demonstraram que a forma de a mulher perceber seu trabalho de parto e pós-parto imediato está intimamente associada ao modelo de assistência oferecida durante este processo. As participantes que optaram pelo Parto Humanizado revelaram sentimentos de gratidão, superação e transformação positiva. Este fato não foi verificado em nenhum outro modelo de assistência. Aquelas que experienciaram a Cesárea Eletiva ou Violência Obstétrica não vivenciaram o trabalho de parto e manifestaram afeto em relação à equipe apenas durante o momento de encontro com o bebe. Estas mulheres que foram vítimas de Violência Obstrética relataram indignação, revolta e desejo de vingança. Sugere-se estudos longitudinais que investiguem os prejuízos e benefícios destas manifestações afetivas intensas na identidade materna e no vínculo com o bebê. PALAVRAS-CHAVE: Assistência obstétrica. Parto. Violência obstétrica. Humanização do parto. Pós-parto. ISSN 2525-6904