Rev. Bras. Saúde Prod. An., v.7, n2, p. 164-168, 2006 http://www.rbspa.ufba.br ISSN 1519 9940 164 Edwardsielose em Tilápias do Nilo (Oreochromis Niloticus)) Edwardsielose in Tilápias do Nilo (Oreochromis Niloticus)) ALBINATI, A. C. L. 1* , ALBINATI, R. C. B. 2 , OLIVEIRA, E. M. D. 3 , LABORDA, S. S. 4 , VIDAL, L. V. O. 5 1- Médica Veterinária – Mestranda-UFBA – Mestrado Medicina Veterinária Tropical 2- Médico Veterinário – Professor adjunto IV – UFBA – Departamento de Produção Animal 3- Médica Veterinária – Professora adjunto I - UFBA – Departamento de Medicina Veterinária Preventiva 4-Bióloga– Funcionária nível superior – UFBA - Laboratório de Bacterioses 5- Estudante Medicina Veterinária - Escola Medicina Veterinária-UFBA *Endereço para correspondência: catialbinati@gmail.com INTRODUÇÃO As enfermidades bacterianas são responsáveis por graves mortalidades, tanto em peixes de vida livre como nos de criação. A água, principalmente quando contém excesso de matéria orgânica, é um meio ideal para o crescimento de muitos gêneros de bactérias (ROBERTS, 1981). Além da água, o muco da superfície corporal e o trato digestório dos peixes albergam uma ampla microbiota bacteriana. As bactérias saprófitas são responsáveis por infecções secundárias ou oportunistas, quando os peixes estão debilitados pelo estresse ou por alguma enfermidade prévia, especialmente quando há solução de continuidade (MORAES e MARTINS, 2004). Uma grande variedade de agentes bacterianos pode causar doenças em peixes, como as bactérias da família Enterobacteriaceae, largamente disseminada no solo, água, plantas e animais. A esse grupo pertence a Edwadsiella tardaque, além de causar infecções em peixes cultivados, provoca gastroenterites e outras doenças no homem (ROBERTS, 1981). As tilápias são susceptíveis a infecções provocadas por diversos tipos de bactérias, dentre essas infecções, está a síndrome da septicemia hemorrágica bacteriana, causada por diversos gêneros e espécies de bactérias Gram negativas, como a Edwardsiela tarda (CONROY e CONROY, 2004). Edwardsiella tarda é freqüentemente isolada do trato digestório de carpas, bagres, tilápias, outros peixes de criação; fezes humanas (MORAES e MARTINS, 2004); além de cobras, rãs, tartarugas e aves (COSTA, 2004). Alem disso,ocorre no sedimento e na água dos tanques de criação e se manifesta especialmente quando há grande quantidade de matéria orgânica na água e os hospedeiros estão em situação de estresse (PAVANELLI et al., 1998). Os sinais clínicos manifestados em casos de edwardsielose são pequenas lesões na cabeça, musculatura e cauda, além de abscessos e hemorragias pelo corpo (COSTA, 2004). Os sinais macroscópicos da enfermidade são pequenas lesões cutâneas que se estendem para dentro da musculatura interna, peritonite fibrinosa de evolução rápida e necrose do tecido hepático e renal. Podem ser encontrados bolhas gasosas de odor fétido, na musculatura e no rim, e um exudato fibrinoso que cobre o fígado, tornando-o friável (ROBERTS, 1981). Em casos septicêmicos, observa-se ascite, distensão