ESTUDOS GEOLÓGICOS VOL. 33 (2) 2023 pp. 81-103 ISSN: 1980 - 8208 SERRA DA MIABA, POVOADO CURITUBA E VALE DOS MESTRES (SE), COMO EVIDÊNCIAS GEOLÓGICAS DE PERÍODOS GLACIAIS E INTERGLACIAIS DO PASSADO SERGIPANO Felipe Torres Figueiredo 1,2 , Elias José da Silva 3 , Cristine Lenz 1 , Mateus do Nascimento Santana 1,2 , Andriel Lima Santos 1 , Pedro Victor de Oliveira Gomes 4 1 Departamento de Geologia, Universidade Federal de Sergipe, Avenida Marechal Rondon Jardim s/n - Rosa Elze, São Cristóvão - SE, 49100-000, Brasil. 2 Programa de Pós-graduação em Geociências e Análise de Bacias (PGAB), Avenida Marechal Rondon Jardim s/n - Rosa Elze, São Cristóvão - SE, 49100-000, Brasil. 3 Centro da Terra - Grupo Espeleológico de Sergipe, Av. Enos Sadock de Sá, 216 - Sala A - Suissa, Aracaju - SE, 49050-300, Brasil. 4 Programa de pós-graduação em Geoquímica e geotectônica, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil. *Corresponding author: ftfigueiredo@gmail.com, ftfigueiredo@academico.ufs.br DOI 10.18190/1980-8208/estudosgeologicos.v33n2p81-103 Resumo A Serra da Miaba, localizada na região centro-oeste do estado de Sergipe e o Vale dos Mestres, no extremo noroeste, compõem importantes pontos turísticos de Sergipe. Cada qual pode ser interpretado como a memória do ambiente de formação de rochas, de onde é possível extrair informações sobre climas glaciais e interglaciais na história geológica não só do Estado, mas de escala global. Contudo, apesar do tema ser muito debatido na literatura científica e de grande relevância para as discussões sobre aquecimento global, é pouco conhecido pelo grande público e por turistas. No sentido de suprir esta deficiência de informações e melhorar o conhecimento de guias e condutores de trilhas, principais agentes de comunicação com o grande público, a presente contribuição objetivou ilustrar dois exemplos de rochas que comprovam a existência de variações climáticas acompanhadas de mudanças na paisagem do passado sergipano. O primeiro exemplo está preservado na Formação Tacaratu, unidade de rochas aflorantes no Vale dos Mestres, interpretada como produto de rios ancestrais ao Rio São Francisco, capazes de transportar sedimentos por uma extensa rede de drenagens desde Sergipe até o Ceará, entre os períodos Siluriano e Devoniano, há 440-360 milhões de anos (Ma), quando a vegetação ainda era escassa sobre os continentes. No entorno do vale, próximo ao povoado Curituba, porém de idade mais jovem (Permo-carbonífera 360 250 Ma), estão preservadas as melhores evidências de abrasão e deformação por geleiras do Estado, em um período que a América do Sul e África estavam unidas e faziam parte de um supercontinente chamado Gondwana. Já as evidências da transição