0 A legitimidade entre os cativos da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Franca - Século XIX * Maísa Faleiros da Cunha : : Palavras-chave: População Escrava; Legitimidade; Franca (SP); Século XIX Resumo Este trabalho busca, a partir dos registros paroquiais de batismo dos filhos de escravos, estudar a legitimidade entre os cativos da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Franca em três momentos: 1805-1850, 1851-1871 e 1872-1888, visando desta forma verificar como o contexto sócio-econômico local e regional influenciou a legitimidade e, num aspecto mais amplo, a formação da família escrava. O primeiro momento diz respeito à localidade em sua fase inicial de formação e povoamento por livres e escravos provenientes, principalmente, de Minas Gerais. No segundo, Franca é um município consolidado, com sua economia voltada para o mercado interno, em uma fase em que a escravidão já anuncia seu esfacelamento com o fim do tráfico transatlântico de escravos (1850) e a promulgação da Lei do Ventre Livre (1871). Na terceira fase, após a Lei de 1871 ao fim da escravidão, a região norte paulista assiste à expansão da monocultura cafeeira e a transição para o trabalho livre. Após a análise das fontes, verificamos que o período entre 1805-1850 apresentou proporção de 44,9% de filhos legítimos de escravos e, o período entre 1851-1871, 51%. O aumento da legitimidade, nestes dois períodos, parece estar relacionado aos interesses dos senhores em ampliar suas escravarias após o fim do tráfico externo de escravos. O período de 1872 a 1888 apresenta a menor proporção de filhos legítimos, cerca de 37%. Ao que tudo indica, a queda na legitimidade entre os dois últimos períodos foi o resultado da diminuição na formalização das uniões dos cativos em razão do maior desinteresse por parte dos senhores em oficializá-las. * Trabalho apresentado no XIV Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em Caxambu - MG – Brasil, de 20-24 de Setembro de 2004. : Mestranda em Demografia (IFCH/NEPO/UNICAMP).