e30 rev port estomatol med dent cir maxilofac. 2013; 54(S1) : e1–e59 recolhidos. O estado de saúde oral foi avaliado através do exame clínico (índice CPO), parâmetros periodontais (índice de placa (IP), profundidade de sondagem, recessão gengival, nível de aderência clínica (NAC), hemorragia pós-sondagem (HPS) e colheita de saliva estimulada e não-estimulada (fluxo e pH). Resultados: Não foram encontradas diferenc ¸as na idade entre os doentes em HD (52 ± 8 anos) e em DP (47 ± 11 anos)(p = 0.163). Verificou-se que os doentes em HD fumavam mais do que os doentes em DP (fumadores: HD, 35%; DP, 9%; p = 0.032). Quanto aos hábitos de higiene oral entre os dois grupos não se observaram diferenc ¸as no número de escova- gens/dia (<2vezes/dia: HD, 57.9%; DP, 60.9%; p = 0.845), contudo houve diferenc ¸ as na frequência com que mudam a escova/ano (<4/ano: HD, 13,1%%; DP, 72.7%; p < 0.001). Relativamente ao índice CPO não se verificaram diferenc ¸as entre os dois grupos (HD, 11.48 ± 8.60; DP, 13.57 ± 6.73; p = 0.114). Os doentes em HD apresentaram um maior IP (HD, 90 ± 15; DP, 61 ± 33; p = 0.002) e uma maior perda do NAC (HD, 3.5 ± 1.3; DP, 2.2 ± 0.6; p < 0.001) enquanto que os doentes em DP um maior índice de HPS (HD, 12.3 ± 21.9; DP, 36.9 ± 39.0; p = 0.017). Na avaliac ¸ão salivar ape- nas foram encontradas diferenc ¸ as entre os dois grupos no que respeita ao pH da saliva não estimulada (HD, 7.24 ± 0.69; DP, 7.69 ± 0.53; p = 0.020), mais alcalino nos doentes em DP. Conclusões: Os doentes renais crónicos em HD apresenta- ram uma pior higiene oral e um pior estado periodontal do que os doentes em DP. Contudo, observou-se um menor valor de HPS nos doentes em HD, provavelmente condicionado pelo efeito do tabaco sobre os tecidos periodontais. Os doentes em DP apresentaram um pH mais alcalino do que os doentes em HD, o que pode ter um papel protetor contra a cárie. http://dx.doi.org/10.1016/j.rpemd.2013.12.067 I-67. Complicac ¸ ões na Gestac ¸ão – fatores de risco genéticos e ambientais Paula Vaz ∗ , Francisco Valente, Bibiana Assunc ¸ão, Ana Cristina Braga, Maria Helena Figueiral, Afonso Pinhão Ferreira Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto (FMDUP), Departamento de Produc ¸ão e Sistemas da Universidade do Minho, Unidade de Diagnóstico Pré-Natal do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho Objetivos: Investigac ¸ ão recente tem-se centrado na relac ¸ão da saúde oral com complicac ¸ões gestacionais, levantando questões sobre fatores de risco para essas complicac ¸ ões. Nesse sentido, este estudo teve como objetivo caraterizar e avaliar eventuais fatores de risco (genéticos e ambientais, sistémicos e orais) para complicac ¸ ões gestacionais numa populac ¸ão da Consulta da Grávida e Bebé da FMDUP (CGB-FMDUP). Materiais e métodos: O estudo, do tipo transversal obser- vacional, foi realizado numa amostra de quinze gestantes selecionadas aleatoriamente de uma populac ¸ão da Unidade de Diagnóstico Pré-natal do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia (UDP – CHVNG) seguidas pela CGB-FMDUP. As variá- veis foram determinadas através da avaliac ¸ ão e registo clínicos recolhidos. A análise estatística foi efetuada no SPSS Statistics (versão 21.0, IBM®,USA) e a metodologia estatística consistiu na caraterizac ¸ão através de gráficos e tabelas de frequências. Foi utilizado o teste exato de Fisher para avaliar a associac ¸ão entre variáveis binárias. A detec ¸ão de evidência estatística foi considerada para valores p inferiores a 0,05. Resultados: Da caraterizac ¸ão de eventuais fatores de risco genéticos salientaram-se os seguintes resultados: 61,5% das gestantes apresentava história de doenc ¸a genética/familiar, 30,8% possuíam história de abortos na família, 15,4% apre- sentavam história familiar de mortes ou problemas ocorridos no período pré-natal, neo-natal e infância por defeitos con- génitos. Para os possíveis fatores ambientais, verificou-se que 30,8% das grávidas possuíam hábitos tabágicos e nenhuma consumia álcool. Dos passíveis fatores sistémicos destacou- se que 38,5% das gestantes possuía uma patologia sistémica e nenhuma tinha diabetes gestacional. Relativamente a fato- res orais realc ¸ ou-se que 30,8% apresentavam gengivite e 38,5% periodontite. O teste exato de Fisher não detetou associac ¸ão estatisticamente significativa entre a ocorrência de aborto provocado ou de aborto espontâneo e a história de doenc ¸a genética/ familiar (valores p respetivamente de 0,641 e de 0,510). Conclusões: O estudo desenvolvido não encontrou associac ¸ão estatisticamente significativa entre a ocorrência de aborto e história de doenc ¸a genética/familiar. No entanto, tornam-se prementes mais estudos, com populac ¸ões de maior dimensão, que incidam na relac ¸ão de eventuais fatores de risco e complicac ¸ões da gestac ¸ão e parto. http://dx.doi.org/10.1016/j.rpemd.2013.12.068 I-68. Colonizac ¸ão oral por Pseudomonas e Burkholderia em doentes em Diálise Peritoneal Liliana Simoes Silva ∗ , Maria Joao Sousa, Carla Santos Araujo, Manuel Pestana, Isabel Soares Silva, Benedita Sampaio Maia Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Faculdade de Medicina Dentaria Universidade do Porto (FMDUP), Centro Hospitalar de São João Objetivos: Embora a taxa de peritonites no servic ¸ o de Nefro- logia do HS João tenha vindo a diminuir nos últimos anos, sendo actualmente de 1 peritonite/29 meses, a infecc ¸ão peri- toneal continua a ser uma causa importante de abandono da técnica. A bactéria Pseudomonas spp. (16%) foi responsável pela maioria dos episódios de peritonites causadas por bac- térias gram-negativas neste servic ¸ o; e a bactéria Burkholderia foi também identificada em peritonites anteriores. Este estudo teve como objetivo avaliar a colonizac ¸ ão por Pseudomonas e Burkholderia da cavidade oral em doentes renais crónicos (DRC) em diálise peritoneal (DP), e tentar estabelecer uma relac ¸ão entre a microbiota oral normal e agentes causadores de peritonites. Materiais e métodos: Foram incluídos 35 DRC prevalentes em DP no Hospital de S. João. Foi recolhida a informac ¸ão clí- nica e demográfica, tendo-se realizado um exame intra-oral de forma a avaliar o índice de dentes cariados, perdidos e obturados (CPO) e o índice de higiene oral. Foram recolhidas amostras de saliva para análise microbiológica, que consistiu