http://lsie.unb.br/ugb/ ISSN 2236-5664 Revista Brasileira de Geomorfologia v. 22, nº 4 (2021) http://dx.doi.org/10.20502/rbg.v22i4.1878 Revista Brasileira de Geomorfologia. 2021, v. 22, n. 4; (Out-Dez) DOI: 10.20502/rbg.v22i4.1878 http://www.lsie.unb.br/rbg/ Artigo de Pesquisa Sequências deposicionais fluviais e evolução geomorfológica da bacia do Rio Paraúna - Serra do Espinhaço Meridional, Sudeste do Brasil Fluvial depositional sequences and geomorphological evolution of the Paraúna river basin – Meridional Espinhaço range, Southeastern of Brazil Alex de Carvalho 1 , Antônio Pereira Magalhães Junior 2 1 Instituto Federal de Minas Gerais, Coordenadoria da Área de Geografia, Ouro Preto, Brasil. E-mail. alex.carvalho@ifmg.edu.br ORCID: http://orcid.org/0000-0001-6525-3170 2 Universidade Federal de Minas Gerais, Departamento de Geografia, Belo Horizonte, Brasil. E-mail. magalhaesufmg@yahoo.com.br ORCID: http://orcid.org/0000-0002-5327-3729 Recebido: 05/03/2020; Aceito: 08/07/21; Publicado: 01/10/2021 Resumo: A identificação de registros de mudanças na dinâmica hidrossedimentar ao longo do tempo permite verificar possíveis alterações da estabilidade de sistemas fluviais e discutir suas implicações na evolução geomorfológica. Este artigo discute a contribuição dos processos fluviais na configuração geomorfológica da bacia do rio Paraúna, ao longo do Pleistoceno Superior/Holoceno. Realizaram-se as seguintes etapas metodológicas: reunião de informações da área estudada; a identificação, mapeamento e caracterização de níveis e sequências deposicionais fluviais; e a datação de sedimentos fluviais pela Luminescência Opticamente Estimulada (LOE). Baseando-se na topografia e na resistência litológica, pode-se identificar dois compartimentos geomorfológicos: Superfícies Elevadas (SE) e Depressão de Gouveia (DG). A dinâmica fluvial é condicionada pelo nível de base regional (rio Paraúna) na DG e pelos níveis de base locais controlados por quartzitos (Supergrupo Espinhaço) nas SE. Frequentemente, as médias/altas vertentes possuem níveis de seixos escalonados e os fundos de vale colmatados possuem níveis arenosos embutidos e/ou encaixados. Na DG, a estabilização do nível de base condicionou a configuração dos fundos de vale, favorecendo a redução da incisão fluvial, o encouraçamento das calhas e a regularização dos perfis longitudinais. Nas SE, a litologia e aspectos locais das bacias e dos canais explicam a diversidade de configurações de vales. Palavras-chave: Geomorfologia fluvial; Níveis deposicionais; Terraços fluviais; Quaternário continental. Abstract: The identification of records of changes in hydro-sedimentary dynamics over time allows the verification of possible changes in the stability of river systems as well as to discuss their implications for geomorphological evolution. This article discusses the contribution of river processes on the geomorphological configuration of the Paraúna River basin, during the Upper Pleistocene/Holocene. The following methodological steps were carried out: information gathering from the studied area; identification, mapping and characterization of fluvial depositional levels and sequences; dating of fluvial sediments using Optically Stimulated Luminescence (OSL). Based on topography and lithological resistance, two geomorphological compartments could be identified: Elevated Surfaces (ES) and Gouveia Depression (GD). The fluvial dynamic is conditioned by the regional base level (Paraúna river) in the GD and by the local base levels controlled by quartzites (Supergroup Espinhaço) in the SE. Often, the medium/high slopes have staggered pebble levels and the alluvial bottom valleys have been found nested or cut-in-bedrocks. In the GD, the stabilization of the base level conditioned the configuration of the bottom