145 RIDH | Buru, v. 2, n. 2, p. 145-148, jun. 2014. Boaventura e os direitos humanos: a contribuição das teologias políticas aos direitos humanos Antonio H. Aguilera Urquiza 1 Resenha: SANTOS, Boaventura de Sousa. Se Deus fosse um ativista de direitos hu- manos. Cortez Editora, 2013. 167p. Falar do professor, pesquisador e escritor Boaventura de Sousa Santos não é tarefa das mais fáceis, ainda mais quando se trata do sempre polêmico assunto dos direitos huma- nos, segundo ele mesmo, “uma hegemonia frágil”. Este recente livro é o objeto da presente resenha, com o objetivo de apresentar a obra e tecer algumas reflexões ao redor dos desa- fios atuais para uma convivência mais simétrica entre as pessoas e as nações. O tema dos direitos humanos nas sociedades contemporâneas tornou-se uma das áreas mais importantes, não somente de discursos acadêmicos, mas também jurídicos, po- líticos e culturais nas últimas décadas. Em um mundo cada vez mais plural e complexo, o autor propõe-se “realizar um exercício de tradução intercultural entre estas duas políticas normativas [Direitos Humanos e teologias políticas], procurando zonas de contato entre elas donde possam emergir energias novas ou renovadas para a transformação social radi- cal e progressista” (SANTOS, 2013, p. 11). Boaventura inicia sua reflexão, já no Prefácio, identificando “a fragilidade dos di- reitos humanos, enquanto gramática de dignidade humana e o desafio que a emergência das teologias políticas lhes coloca no início do século XXI” (Idem). Ao tratar das teologias políticas, o autor tira a intuição para o título incomum do livro – Se Deus fosse um ativista dos Direitos Humanos. As questões iniciais passam por identificar as concepções hegemônicas (voltadas a reproduzir a “des”ordem social capitalista, colonialista e sexista) e as concepções con- 1 Doutor em Antropologia (Universidade de Salamanca/Espanha). Professor da UFMS e da Pós-graduação em An- tropologia da UFGD. Líder do grupo de pesquisa (CNPq) “Antropologia, Direitos Humanos e Povos Tradicionais”.