Revista Extensão & Sociedade - PROEX/UFRN/2018 - Edição Especial Comemorativa dos 60 anos 89 DESAFIOS IDENTITÁRIOS E EXPERIÊNCIAS PATRIMONIAIS; O PROGRAMA TRONCO, RAMOS E RAÍZES 1 Julie Antoinette Cavignac 2 1 Algumas refexões deste artigo foram inicialmente apresentadas na conferência de abertura do III Colóquio Luso Afro Brasileiro na Universidade de Cabo Verde (6 e 7 de julho de 2017, Cidade de Praia, Cabo Verde). 2 Professora titular do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e atualmente vice-coordenadora do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social, PPGAS - UFRN. Defendeu sua tese de doutorado em Nanterre (Paris X, França). É membro do Conselho Científco e do Comité Patrimônio e Museu da Associação Brasileira de Antropologia (ABA). Recebeu a Comenda do Mérito Folclorista Deíflo Gurgel (2015) A implementação de políticas para a pro- moção da igualdade racial durante o governo Lula teve repercussões diretas na sociedade brasileira, particularmente na educação. O lema do primeiro governo Lula “Brasil, um país de todos” colocou as questões étnicas como prioridade e, neste período, houve um crescimento dos movimentos indígenas e qui- lombolas organizados com uma participação ativa nas pautas públicas, em particular, nas questões de regularização territoriais. No en- tanto, os esforços iniciados não foram sufcien- tes para quebrar os preconceitos e as estruturas hierárquicas oriundas do período colonial e não tiveram continuidade. O brutal retrocesso provocado pelo golpe de 2016 fragilizou ainda mais os programas sociais e educativos, com os cortes orçamentários realizados logo após a instalação do novo regime. É provável que versão da história escrita pelas elites brancas se consolide neste contexto político desfavorável às populações tradicionais pois enaltece a con- quista territorial e os benefícios do progresso trazido pelos europeus, difama a imagem dos grupos que foram submetidas à dominação do colonizador (VOGT & BRUM, 2016).