Leandro Mendonça Barbosa & Dolores Puga (orgs) (2021) Antiguidade e usos do passado. Políticas e práticas sociais. São João de Meriti: Desalinho, 238p. ISBN: 97-8658-854-4150 Pedro Paulo A. Funari (Universidade de Campinas) ppfunari@uol.com.br O termo “usos do passado” tem sido usado com crescente frequência, com diversas acepções. Em termos mais gerais, pode considerar-se as maneiras como diferentes momentos da história revisitaram o passado, de modo a inventar narrativas significativas em momentos específicos e de acordo com interesses também determinados e mesmo contrastantes por clivagens de classe, gênero, perspectiva ou quaisquer outros. O termo invenção, aqui, é tomado no seu sentido etimológico, ao significar, ao mesmo tempo, invenção e descoberta (in-uenio, “venho em”, “topo com algo”). Esta definição mais ampla permite abranger um grande espectro de situações e abordagens. Há delimitações mais específicas, em particular os usos políticos do passado, em geral em relação a estados e regimes contemporâneos ou recentes que manipulam narrativas para justificar relações de poder. Um caso paradigmático por sua clareza é o fascismo italiano e sua invenção de um mundo romano a serviço de um regime repressivo. Usos do passado podem, ainda, englobar estudos de recepção, de viés mais cultural e que pode enfatizar o recebimento de algo. Esse é o caso da recepção de Ovídio no Renascimento. O volume organizado por Leandro Mendonça Barbosa e Dolores Puga aplica o sentido mais amplo do termo. O subtítulo também merece comentário. “Políticas” pode ser entendido como relações de poder, em qualquer nível ou circunstância, macro ou micro. Pode englobar a política, “a vida na cidade”, esse o sentido original da palavra,